Grupo Gurdjieff São Paulo
A BÍBLIA

Comentários inéditos visando uma compreensão simbólica apropriada ao século XXl

12º Comentário- O Cântico dos Cânticos

O Prólogo do Cântico dos Cânticos (1:2-4) diz:

A Noiva:

Deixe-o beijar-me com os beijos de sua boca.
O seu amor é mais agradável que o vinho;
delicada é a fragrância de seu perfume,
o seu nome é um óleo derramado,
e é por isso que as virgens o amam.
Arraste-me em suas pegadas, vamos correr.
O Rei trouxe-me aos seus aposentos;
Você será nossa alegria e nossa satisfação.
Deveremos exaltar o seu amor acima do vinho;
como é justo amá-lo.

O nome

O nome é o Som, é a Palavra, é o Verbo. O Evangelho segundo São João diz no capítulo 1: “No princípio era o Verbo [...] e o Verbo era Deus”. Portanto, ele está-nos indicando que o nome identifica-se com o Divino, isto é, que a palavra é Divina.

Podemos, pois, dizer que a palavra é poder, pois é a expressão do Divino em nós. No entanto, como nós, seres humanos, únicos portadores do privilégio da palavra usamos esse dom inestimável que nos foi concedido? Em outras palavras: o que estamos expressando através da palavra em nosso dia-a-dia?

A nossa fala veicula o que somos e como estamos naquele momento. Por isso, precisamos constantemente investigar se estamos pondo para fora a banalidade, a agressividade, a intolerância, o desamor, a crítica severa, ou se , ao contrário, estamos expressando um estado interior de harmonia, de contentamento, de simpatia humanitária, pois a palavra pode destilar veneno ou derramar luz.

É preciso que nos lembremos sempre que aquilo que expressamos através da palavra é o nosso verdadeiro nome.

Que o nosso nome seja sempre “um óleo derramado”!

PAULO A. S. RAFUL
LAURO DE A. S. RAFUL


Data: 31/5/2007

Comentários inéditos visando uma compreensão simbólica apropriada ao século XXl

11º Comentário- O Cântico dos Cânticos

O Prólogo do Cântico dos Cânticos (1:2-4) diz:

A Noiva:

Deixe-o beijar-me com os beijos de sua boca.
O seu amor é mais agradável que o vinho;
delicada é a fragrância de seu perfume,
o seu nome é um óleo derramado, e é por isso que as virgens o amam.
Arraste-me em suas pegadas, vamos correr.
O Rei trouxe-me aos seus aposentos;
Você será nossa alegria e nossa satisfação.
Deveremos exaltar o seu amor acima do vinho;
como é justo amá-lo.

O perfume (continuação)

O perfume é a quintessência da natureza. Na verdade, é extraído da alma da natureza, de sua parte invisível. É como se as essências aromáticas sintetizassem, em suas fragrâncias, os mistérios de nossa grande Mãe.

Por isso, ao deslizar por nosso olfato, o perfume nos encanta e nos eleva. Sem percebê-lo claramente, somos conduzidos, num átimo, a um outro mundo, a uma outra dimensão.

Esse curtíssimo espaço de tempo deixa uma marca em cada um de nós, uma impressão que toca aquilo que, em nós, é tão invisível quanto o perfume, mas tão sensível quanto ele ─ a nossa Alma, o nosso sentimento.

O sentido do perfume que aparece no Cântico dos Cânticos é, pois, o de instrumento de transporte para o mundo da nossa essência, para o mundo do nosso coração.

Todos nós ansiamos por levar uma vida menos mesquinha, menos agressiva, uma vida mais ampla, mais plena. O perfume de que fala o Cântico dos Cânticos é um símbolo usado para nos indicar o caminho para a plenitude com a qual sonhamos, pois nos comprova que, da mesma maneira que existem aromas invisíveis que nos deliciam, existe algo invisível em cada um de nós que nos delicia ─ a nossa Alma, a fonte de todos os encantos.

PAULO A. S. RAFUL
LAURO DE A. S. RAFUL


Data: 19/5/2007

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10º Comentário- O Cântico dos Cânticos

O Prólogo do Cântico dos Cânticos (1:2-4) diz:

A Noiva:

Deixe-o beijar-me com os beijos de sua boca.
O seu amor é mais agradável que o vinho;
delicada é a fragrância de seu perfume,
o seu nome é um óleo derramado, e é por isso que as virgens o amam.
Arraste-me em suas pegadas, vamos correr.
O Rei trouxe-me aos seus aposentos;
Você será nossa alegria e nossa satisfação.
Deveremos exaltar o seu amor acima do vinho;
como é justo amá-lo.

Analisaremos hoje a palavra perfume, inserida na frase: “delicada é a fragrância de seu perfume”.
O perfume

Perfume é algo que sempre fascinou o ser humano. Uma das razões desse fascínio é que, por ser aspirado pelas narinas, vai direto aos pulmões que, por sua vez, envolvem o coração. De uma maneira misteriosa, o perfume leva uma vibração etérea ao nosso peito, que abriga o sentimento. Por isso, o perfume está diretamente ligado à nossa alma.

A alma pode exalar o perfume da alegria, da leveza, da compaixão, da força serena de quem recebe os golpes da vida com um sorriso. Pode exalar o perfume do Amor que tudo abraça ou pode emitir o odor desagradável da raiva, do ciúme, da inveja e da competitividade.

O Cântico dos Cânticos celebra o mais fino dos perfumes que é o perfume do Amor. Celebra, antes de tudo, o Amor pelo Ser, pelo privilégio de existirmos neste planeta, neste Universo magnífico.

Amar o Universo que nos envolve, é pressentir algo que é invisível para os olhos, mas que um olfato refinado pode captar em momentos privilegiados: o perfume do Divino.

PAULO A. S. RAFUL
LAURO DE A. S. RAFUL


Data: 7/5/2007

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9º Comentário- O Cântico dos Cânticos

O Prólogo do Cântico dos Cânticos (1:2-4) diz:

A Noiva:

Deixe-o beijar-me com os beijos de sua boca.
O seu amor é mais agradável que o vinho;
delicada é a fragrância de seu perfume,
o seu nome é um óleo derramado, e é por isso que as virgens o amam.
Arraste-me em suas pegadas, vamos correr.
O Rei trouxe-me aos seus aposentos;
Você será nossa alegria e nossa satisfação.
Deveremos exaltar o seu amor acima do vinho;
como é justo amá-lo.

Nos números anteriores do Jornal Delfos, examinamos o significado simbólico da palavra vinho e da embriaguez causada pelo vinho. Hoje daremos continuidade a esse assunto.

• Os poetas gregos viam o vinho como o sangue da videira. Jesus também se designa como a videira: “Eu sou a verdadeira videira e vós, os ramos” (João 15, 1-8).

Os antigos viam no vinho a união da água com o fogo: ele é água porque é líquido e é fogo porque produz calor. No pensamento simbólico, água e fogo correspondem, respectivamente, aos princípios feminino e masculino, ao yin e yang, portanto, às duas forças ou aspectos que constituem tudo que existe no Universo: homem e mulher, esquerda e direita, alto e baixo, frente e verso, ação e reação, centro e periferia.

Quando se compreende isso, o vinho, em nós, passa a significar o estado de equilíbrio entre a razão e o organismo, entre a cabeça e o coração, entre o pensar, o sentir e o agir. Nesse sentido, “viver embriagado pelo vinho” passa a ter um significado profundo, pois pode ser traduzido como a busca da harmonia entre nossos dois extremos: cabeça e ventre, razão e sentimento.

Ser harmônico é ser humano plenamente. E como o vinho nos enche de alegria, podemos dizer que ser harmônico é ser a alegria de ser.

PAULO A. S. RAFUL
LAURO DE A. S. RAFUL


Data: 25/4/2007

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8º Comentário- O Cântico dos Cânticos

O Prólogo do Cântico dos Cânticos (1:2-4) diz:

A Noiva:

Deixe-o beijar-me com os beijos de sua boca.
O seu amor é mais agradável que o vinho;
delicada é a fragrância de seu perfume,
o seu nome é um óleo derramado, e é por isso que as virgens o amam.
Arraste-me em suas pegadas, vamos correr.
O Rei trouxe-me aos seus aposentos;
Você será nossa alegria e nossa satisfação.
Deveremos exaltar o seu amor acima do vinho;
como é justo amá-lo.

Nos número anterior do Jornal Delfos, examinamos o significado simbólico da palavra vinho. Hoje falaremos sobre o significado da embriaguez causada pelo vinho.

• A embriaguez causada pelo vinho é comparada misticamente ao êxtase.

A palavra “êxtase” vem do grego “ex-ístem”, que significa “eu saio” ou “eu vou para fora”. Perguntamos, então: sair do que? Ir para fora do que? A resposta a essa questão é clara e direta: sair daquilo que é o nosso “eu” habitual, que nada mais é do que um tapete de condicionamentos, assentados no medo, nos nossos desejos e na competitividade com os outros.

Aquilo que chamamos habitualmente de “nós mesmos” vive na insegurança, na aflição em relação ao dia de amanhã ou nas queixas do que passou.

Nas práticas meditativas podemos beber o vinho do êxtase, isto é, podemos sair da prisão de nossa pequenez e experimentar beber na taça da plenitude, da paz, do contentamento.

A meditação é o vinho da imensidão!

PAULO A. S. RAFUL
LAURO DE A. S. RAFUL


Data: 13/4/2007

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7º Comentário- O Cântico dos Cânticos

O Prólogo do Cântico dos Cânticos (1:2-4) diz:

A Noiva:

Deixe-o beijar-me com os beijos de sua boca.
O seu amor é mais agradável que o vinho;
delicada é a fragrância de seu perfume,
o seu nome é um óleo derramado, e é por isso que as virgens o amam.
Arraste-me em suas pegadas, vamos correr.
O Rei trouxe-me aos seus aposentos;
Você será nossa alegria e nossa satisfação.
Deveremos exaltar o seu amor acima do vinho;
como é justo amá-lo.

Nos números anteriores do Jornal Delfos, examinamos o significado simbólico da Noiva, do Beijo e da palavra “amor” inserida na frase “O seu amor é mais agradável que o vinho”. Hoje examinaremos o significado da palavra vinho inserida na mesma frase.

• O vinho é um dos mais importantes símbolos iniciáticos, pois está presente em todas as tradições como, por exemplo, na tradição grega e na judaico-cristã. Qual seria, pois, o significado profundo do vinho? Analisaremos hoje o significado do vinho tinto, que por sua cor vermelha se assemelha ao sangue, e que, por isso, permite várias leituras aos que se interessam pelo caminho interior.

(1): O vinho é a seiva, ou seja, o sangue do mundo vegetal que, uma vez ingerido, nos revitaliza, fortalece, anima, eleva e nutre. Em geral, bebemos o vinho mecanicamente. Se tivermos, porém, a consciência de que ele é a essência viva da mãe natureza, ele terá um efeito especial sobre nós, pois, ao ingeri-lo, saberemos estar realizando um ato de comunhão com a natureza que nos criou e com a vida que nos rodeia.

(2): O ser humano adormecido deixa-se levar, pelo vinho, à embriaguez embrutecida e degradante. Mas para quem começa a despertar, ele se torna o símbolo da embriaguez divina, isto é, do distanciamento das mazelas do mundo cotidiano. Ele nos leva a uma abertura para a intuição de que, dentro de cada um, há uma profunda e magnífica vida interior.

(3): A partir disso, percebemos que ao nos aprofundarmos em estados meditativos, podemos experimentar, como um estado de embriaguez, a calma e a paz que residem perenemente na profundidade do nosso ser.

PAULO A. S. RAFUL
LAURO DE A. S. RAFUL


Data: 1/4/2007

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6º Comentário- O Cântico dos Cânticos

O Prólogo do Cântico dos Cânticos (1:2-4) diz:

A Noiva:

Deixe-o beijar-me com os beijos de sua boca.
O seu amor é mais agradável que o vinho;
delicada é a fragrância de seu perfume,
o seu nome é um óleo derramado, e é por isso que as virgens o amam.
Arraste-me em suas pegadas, vamos correr.
O Rei trouxe-me aos seus aposentos;
Você será nossa alegria e nossa satisfação.
Deveremos exaltar o seu amor acima do vinho;
como é justo amá-lo.

Nos números anteriores do Jornal Delfos, examinamos o significado simbólico da Noiva, do Beijo e da frase “O seu amor é mais agradável que o vinho”. Hoje continuaremos a examinar o Amor.

• O Universo é formado por substâncias, ou, se preferir, por energias de diferentes substancialidades que vão desde a substância densa e extremamente rígida de uma rocha até a materialidade sutil e intangível de um raio cósmico. O Amor é também uma substância invisível, mas é tangível para quem o abriga. O fato de não ser visível não implica em não ser real, para quem o experimenta. A substância amorosa pode ser espessa como no caso dos que experimentam uma paixão cega, ou finíssima, como no caso dos que experimentam a compaixão, a piedade ou o sentimento de êxtase. Quanto mais fina for a substância amorosa, mais ela nos elevará, aproximando-nos do topo da condição de ser humano. E no aproximar-se dessa altura admirável é que está o principal sentido de nossa vida.

• O seio que amamenta é uma das expressões mais naturais e evidentes do Amor. Esse símbolo visível nos ensina muito sobre o mistério que é o Amor. Em primeiro lugar ele nos mostra que Amar implica generosidade, pois quem amamenta doa sua própria substância, alimenta e esquece-se de si mesmo. Amar é estar em uma dimensão muito diferente da dos conflitos humanos mesquinhos, apesar de continuarmos fisicamente presentes no cenário pobre da mediocridade cotidiana.

• A substância Amor UNE, enquanto os interesses pessoais separam; o Amor JUNTA, enquanto as crenças divorciam as pessoas; O Amor MARAVILHA, enquanto o nosso egocentrismo tudo obscurece.

PAULO A. S. RAFUL
LAURO DE A. S. RAFUL


Data: 20/3/2007

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5º Comentário- O Cântico dos Cânticos

O Prólogo do Cântico dos Cânticos (1:2-4) diz:

A Noiva:

Deixe-o beijar-me com os beijos de sua boca.
O seu amor é mais agradável que o vinho;
delicada é a fragrância de seu perfume,
o seu nome é um óleo derramado, e é por isso que as virgens o amam.
Arraste-me em suas pegadas, vamos correr.
O Rei trouxe-me aos seus aposentos;
Você será nossa alegria e nossa satisfação.
Deveremos exaltar o seu amor acima do vinho;
como é justo amá-lo.

Já examinamos o significado simbólico da Noiva e do Beijo nos números anteriores do Jornal Delfos. Hoje examinaremos o significado simbólico da frase:

O seu amor é mais agradável que o vinho;

• O Amor, na verdade, não é aquilo que pensamos que é. Em geral, confundimos Amor com paixão, isto é, com a efervescência de nossas emoções.

O nosso mundo emocional é um fogo conturbado, pois é muito cheio de conflitos. Ele é a sede do ciúme, da competitividade, do confronto, da inveja, ou seja, do famigerado sentido de posse. Perguntamos, então: Como essas emoções tão negativas e violentas podem ser chamadas de Amor?

• Na Tradição Cristã, a palavra usada nos Evangelhos para falar de Amor não é a palavra grega EROS, que significa o amor erótico, passional. Para falar de Amor, a Tradição Cristã emprega a palavra grega AGAPE, que significa o Amor-compaixão, ou seja, o Amor que não é egocêntrico, mas sim amplo e generoso. Portanto, temos o Amor-sentimento em contraposição ao amor passional. Esse Amor-sentimento avizinha-se do Divino, enquanto o amor passional fica muito próximo do animal.

• O Amor é, antes de tudo, uma energia que preenche todo o Universo. Isso é facilmente demonstrável, pois foi o Cosmo que nos deu a vida e a mantém, alimentando-nos. Portanto é o Cosmo que nos dá a possibilidade de passar pela experiência inestimável de VIVER. Isso não merece grandemente o nome de Amor?

• A palavra Amor pode abarcar níveis muito diferentes. No primeiro degrau da escada, está o amor conhecido pela maioria das pessoas, isto é, o amor ciumento, turbulento como um “tsunami”. Já em um degrau bem alto está o Amor cuja vocação principal é a contínua expansão do ser. Este é o Amor representado na Santa Ceia, isto é, o Amor da União, o Amor da Comunhão.

PAULO A. S. RAFUL
LAURO DE A. S. RAFUL


Data: 8/3/2007

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4º Comentário- O Cântico dos Cânticos

O Prólogo do Cântico dos Cânticos (1:2-4) diz:

A Noiva:

Deixe-o beijar-me com os beijos de sua boca.
O seu amor é mais agradável que o vinho;
delicada é a fragrância de seu perfume,
o seu nome é um óleo derramado, e é por isso que as virgens o amam.
Arraste-me em suas pegadas, vamos correr.
O Rei trouxe-me aos seus aposentos;
Você será nossa alegria e nossa satisfação.
Deveremos exaltar o seu amor acima do vinho;
como é justo amá-lo.

Já examinamos o significado simbólico da Noiva e, no número anterior do Jornal Delfos, começamos a examinar o significado simbólico do Beijo, ao qual daremos continuidade hoje.

O BEIJO (continuação)

- É pela Boca que trazemos para dentro de nós mesmos um pouco do mundo exterior, e é também através dela que nos oferecemos um pouco para este mundo. A Boca é ao mesmo tempo a porta para a nossa subsistência e a fonte que verbaliza o que pensamos e sentimos.

Tudo que pensamos ou sentimos retrata o que temos de mais íntimo e, por isso, é tão importante beijar. Quando duas bocas se encontram, mesmo que na maioria dos casos as pessoas não tenham consciência disso, estão ansiando por trocar o que têm de mais íntimo, de mais essencial. É como se cada pessoa quisesse beber o orvalho que flui do âmago da outra pessoa que, ao mesmo tempo, oferece generosamente o seu.

- A Boca pode veicular o Céu e o Inferno, pois pode expressar a verdade, a bondade e a gentileza ou pode expressar a mentira, a agressividade e o conflito.

Assim, beijar pode ser veículo do que há de melhor em cada um de nós. Pode comunicar um pouco do mistério da nossa ALMA ou pode ser a manifestação da mais pura banalidade. Por isso, a Boca pode ser sagrada ou mediocremente profana.

- Quando beijamos trocamos com a pessoa amada o nosso ar, o nosso hálito, o nosso sopro de vida que recebemos ao nascer e que devolveremos quando abandonarmos o corpo físico. Por isso, quando duas bocas se beijam, estão permutando o que têm de mais valor: o fio da própria vida.

Se pudermos nos lembrar disso constantemente, abriremos uma porta extraordinária para a magia profunda que é o relacionamento amoroso.

PAULO A. S. RAFUL
LAURO DE A. S. RAFUL


Data: 24/2/2007

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3º Comentário- O Cântico dos Cânticos

Na última edição do Jornal Delfos, dissemos que começaríamos a interpretação do Cântico dos Cânticos pelo Prólogo (1:2-4) que diz:

A Noiva:

Deixe-o beijar-me com os beijos de sua boca.
O seu amor é mais agradável que o vinho;
delicada é a fragrância de seu perfume,
o seu nome é um óleo derramado, e é por isso que as virgens o amam.
Arraste-me em suas pegadas, vamos correr.
O Rei trouxe-me aos seus aposentos;
Você será nossa alegria e nossa satisfação.
Deveremos exaltar o seu amor acima do vinho;
como é justo amá-lo.

Já examinamos o significado simbólico da Noiva e hoje examinaremos o significado simbólico do Beijo.

O BEIJO

- O Beijo de que nos fala o Cântico dos Cânticos vem inflamar-nos e despertar-nos, vem abrir uma nova perspectiva sobre nós mesmos.

Beijar quem amamos faz-nos sentir mais vivos e mais brilhantes. Quando beijamos, saímos do nosso pequenino e medíocre “eu mesmo” do dia-a-dia, para nos tornar um “Eu mesmo” desconhecido, amplo, sem contornos, sem forma definida.

Nesse sentido, beijar quem amamos tira-nos de uma vida sem cor e sem graça, para nos levar a uma espécie de Noite acolhedora, fonte de todos os potenciais promissores.

Dessa forma, O Beijo faz-nos pressentir que, se de um lado somos uma “persona” social, de outro somos uma imensidão que extravasa os inúmeros rótulos que nos prendem ao fluxo da banalidade mundana.

- Os Beijos dos quais nos fala Salomão são vibrações que tocam o meio do nosso peito, que tocam a nossa Alma.

Essa Alma, que é nosso sentimento profundo de ser e de estar, precisa de alimento. Ela precisa ser nutrida com impressões que a elevem, que a recoloquem na direção do seu berço de origem. No correr da nossa vida cotidiana, permeada pelo stress, só oferecemos à Alma emoções carregadas de agressão, competitividade, ciúme e inveja. Mas nossa Alma clama pelo beijo de impressões de qualidade, pelo beijo da esperança, da paz e do contentamento.

- O Beijo amoroso retira-nos das mandíbulas devoradoras do tempo.

Através do beijo, vivemos um instante de Eternidade, livres de Cronos (de Saturno), livres do passado e do futuro. Presenciamos, então, um estado interior em que as emoções mesquinhas, imprimidas pelo fluxo da vida, cedem lugar ao mundo do encantamento e da compaixão, despertando em nosso peito um sentimento de irmandade em relação a tudo e a todos.

PAULO A. S. RAFUL
LAURO DE A. S. RAFUL


Data: 12/2/2007

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2º Comentário- O Cântico dos Cânticos

Na última edição do Jornal Delfos, dissemos que começaríamos a interpretação do Cântico dos Cânticos pelo Prólogo (1:2-4) que diz:

A Noiva:

Deixe-o beijar-me com os beijos de sua boca.
O seu amor é mais agradável que o vinho;
delicada é a fragrância de seu perfume,
o seu nome é um óleo derramado, e é por isso que as virgens o amam.
Arraste-me em suas pegadas, vamos correr.
O Rei trouxe-me aos seus aposentos;
Você será nossa alegria e nossa satisfação.
Deveremos exaltar o seu amor acima do vinho;
como é justo amá-lo.

O significado simbólico da Noiva

A palavra Noiva, tomada simbolicamente, pode evocar no ser humano um buquê de significados profundos. Examinaremos aqui alguns deles:

(1): Noiva é o estado de uma mulher que vai unir-se ao ser amado e que deseja intensamente essa união. Ora, todo ser humano anseia naturalmente por união, pois a união verdadeira tira-nos do estado crônico de egocentrismo em que vivemos, e que é a causa da nossa prisão. Temos o anseio de unir-nos aos outros, à vida, a um ideal ou ao Divino. Então, o que barra o nosso caminho para a união, ou seja, para a comunhão com os nossos semelhantes, com a natureza ou com Deus? Cabe a cada um examinar honestamente essa questão decisiva. Ao respondê-la, poderemos ser arrastados pelos caminhos da plenitude e da felicidade.

(2): Para a mulher, ser noiva é, na maioria das vezes, um estado de encantamento, de promessa e de esperança. Na cerimônia de casamento, a mulher toca um estado de esplendor, como se tivesse ido para um outro mundo. Que mundo seria esse? É o mundo encantado dos contos de fadas e das Mil e Uma Noites. É o mundo do Belo a que se refere Platão. Seria esse mundo uma fantasia, apenas um delírio infantil? Não! O Belo e o Bom são, na verdade, vocações de todo ser humano e é por isso que temos todo o direito de buscar essas qualidades. Por que a nossa vida cotidiana afasta-nos do caminho do encantamento e do esplendor? O que nos encerra no labirinto feio e mesquinho do que chamamos ironicamente de “vida real”? O rei Salomão, ao escrever esse maravilhoso poema, pretendia que nos propuséssemos questões como essas.

(3): O estado de Noiva evoca obrigatoriamente o Amor. O Amor nos concede um peito fértil, uma força confiante, um grande poder. O Amor nos proporciona firmeza, isto é, base e eixo. Viver sem Amor significa viver com um peito estéril, sem força, sem poder, sem eixo. Por isso, vamos aprender a Amar! O Amor é a melhor estrada para o Divino e, por isso mesmo, foi tão lindamente cantado pelo rei Salomão. Mas como aprender a Amar verdadeiramente? É simples! Basta sair de você mesmo, ou melhor, daquilo que você acredita ser você mesmo. Vamos! Saia de tudo que o limita e descobrirá encantado que você, na verdade, é uma imensidão amorosa. Comece já! Não há nada mais urgente do que isso!

PAULO A. S. RAFUL
LAURO DE A. S. RAFUL


Data: 31/1/2007

Comentários inéditos visando uma compreensão simbólica apropriada ao século XXl

1º Comentário - O Cântico dos Cânticos

Os nossos primeiros comentários vão girar em torno do Cântico dos Cânticos. Esse poema bíblico baseia-se no Amor humano para conduzir-nos a um Amor mais amplo que é o Amor Divino.

Há mais de 2000 anos o Cântico dos Cânticos vem fascinando a humanidade devido à sua fina qualidade poética e ao seu profundo significado simbólico. Grandes figuras do cristianismo como Orígenes e Bernard de Clarvaux tiveram esse poema na mais alta conta; ele foi também muito apreciado por algumas das grandes figuras do judaísmo.

Atribuído ao rei Salomão, o rei que é a própria Paz encarnada, pois seu nome significa Paz, o poema é um convite à encarnação da Paz.

Assim, a primeira pergunta que se impõe é:

O que é a paz?

Quando se fala em paz, habitualmente nos vem a idéia de uma situação externa onde não há conflitos abertos. No entanto, a verdadeira paz é um estado interior de contentamento, de tranqüilidade satisfeita; é sentir o sol no peito; é ter um peito de ouro; é sentir o frescor e a fertilidade da primavera no coração.

Assim, o rei Salomão convida-nos a ser como ele, pois se cultivarmos a paz interior todos os dias, se fizermos dela o pão nosso de cada dia, o que há de melhor fluirá de nós, para nós.

A verdadeira paz não cai do céu

É preciso trabalhar para que a verdadeira paz se aproxime de nós. Para isso devemos afastar-nos, na medida do possível, do ciúme, da inveja, da competição, da raiva, do medo e da angústia. A cada centímetro que nos distanciamos desses estados negativos, ganhamos um centímetro em direção ao país da paz.

A paz é um querer bem que implica ter um coração limpo. O alicerce do Amor verdadeiro é um coração limpo.

O Cântico dos Cânticos ensina-nos a Amar

O maravilhoso poema ensina-nos a Amar através da mais natural das relações amorosas que é a relação homem-mulher, do Noivo com a Noiva.

Ele nos estimula a descobrir que o verdadeiro Amor deve estar em constante ampliação, em um alargamento contínuo, englobando cada vez mais os nossos semelhantes, o Universo todo e Deus. O poema quer ajudar-nos a descobrir que o Amor é a matéria prima do Universo, é o Ar do ar que respiramos.

Mas quando falamos em Amor entre homem e mulher, a primeira questão que se apresenta é:

Como falar em paz diante de duas realidades tão diferentes?

Vivemos em um mundo de opostos, onde estão sempre se defrontando realidades contrárias como, por exemplo, o homem e a mulher; os nossos sonhos de grandiosidade e a nossa realidade mesquinha; o nosso ideal de felicidade e o realismo duro e áspero da nossa vida cotidiana, ou seja, os nossos sentimentos mais elevados e a difícil luta pela sobrevivência.

O fato é que falamos de paz apenas TEORICAMENTE, pois ela não é, para nós, uma realidade substancial, tangível; é apenas um discurso intelectual; é um conceito mental e não uma disposição real dentro do nosso peito. Se um dia pudermos tocar, de fato, instantes de paz verdadeira em nosso coração, compreenderemos que a paz, sem o menor esforço, concilia tudo aquilo que é aparentemente irreconciliável.

O poder do Amor está em conciliar o que é aparentemente irreconciliável. Por isso, o Amor é a Paz e a Paz é o Amor.

Na próxima edição do Jornal Delfos, começaremos a interpretação do maravilhoso texto pelo Prólogo (1:2-4) que diz:

A Noiva:

Deixe-o beijar-me com os beijos de sua boca.
O seu amor é mais agradável que o vinho;
delicada é a fragrância de seu perfume,
o seu nome é um óleo derramado, e é por isso que as virgens o amam.
Faça-me seguir as suas pegadas, vamos correr.
O Rei trouxe-me aos seus aposentos;
Você será nossa alegria e nossa satisfação.
Deveremos exaltar o seu amor acima do vinho;
como é justo amá-lo

PAULO A. S. RAFUL
LAURO DE A. S. RAFUL