Gurdjieff - Escola Gurdjieff São Paulo
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Carta aos leitores....Voltar para o Índice

Perguntamos a vários leitores o que eles gostariam de encontrar neste número da revista. O primeiro grupo disse que gostaria de conhecer mais sobre seu mundo interior, o segundo, que esperava encontrar soluções práticas para os problemas da vida exterior, o terceiro grupo disse apenas que gostaria de ser surpreendido.

O tema central de nossa revista é a Alma. Como falar de algo tão misterioso e sutil? Como expressar um pouco de nossa realidade essencial, sem cair no hermetismo ou na banalidade? Foi possível graças a mestres espirituais que ultrapassaram a invisível fronteira e estabeleceram residência no país de origem.

O segundo grande tema é a questão material. As pessoas pensam que conhecem o dinheiro, este personagem que domina a vida humana, mas vão descobrir que estão enganadas.

Para aqueles que chegarem ao fim, reservamos um presente especial: o desafio de vencer os jogos e resolver o enigma.

Estamos satisfeitos com o resultado, pois conseguimos atender a todos.

PAULO RAFUL FALA A SEUS ALUNOS....Voltar para o Índice

Alma, a grande questão humana

Quero, em primeiro lugar, fazer uma exposição básica sobre o ser humano, antes de tocarmos diretamente no assunto ALMA. Entre as muitas coisas essenciais para ele, a mais importante de todas é o conhecimento. O ser humano é, fundamentalmente, um ser de conhecimento; por isso, o principal alvo na vida das pessoas, desde a mais modesta até o grande cientista, é conhecer. Por que Darwin teria saído da Inglaterra para ir às Ilhas Galápagos? Foi para conhecer novas espécies. Da mesma forma, o astrônomo, quando mira o céu, está procurando conhecer; os biólogos, quando se debruçam sobre seus microscópios, também o estão; os descobridores, que se aventuraram por mares desconhecidos, enfrentando inúmeros perigos, queriam conhecer outros continentes; e assim por diante.

O tema Conhecimento é, portanto, o grande tema do ser humano, porque, se nós não conhecêssemos, estaríamos muito próximos dos animais.

Falando sob essa ótica, o homem tem à sua disposição duas direções para focar o seu conhecimento. A primeira delas, bastante óbvia, é focar o seu conhecimento nas coisas exteriores a ele. É o caso, por exemplo, do astrônomo, do biólogo, do geólogo: eles estão procurando compreender o mundo e o ser humano, mirando lá fora.

Assim, esse potencial extraordinário e ao mesmo tempo misterioso, próprio do ser humano, está focado no mundo exterior. A humanidade, em geral, desconhece a existência de outro potencial de conhecimento, voltado para dentro do ser. Essa segunda direção do conhecimento é ignorada por muitos e negada por outros, que afirmam não passar ela de fantasias pessoais, impossíveis de serem confirmadas. Falam do mundo interior como se fosse um reino absolutamente subjetivo, sem pé nem cabeça.

Isso, porém, não é verdadeiro. Existe a possibilidade de um conhecimento rigoroso, voltado para dentro. Na verdade, ele é tão rigoroso ou mais que o conhecimento voltado para fora. Existem métodos absolutamente sérios que podem ser aplicados na busca desse conhecimento interior, que engloba o assunto ALMA. Um deles é o chamado processo meditativo, um nome tão em voga no momento. Quando você volta o grande instrumento do conhecimento - a atenção - para dentro de si mesmo, em vez de volvê-la para o mundo exterior, passa a conhecer tudo o que ela registra. É a atenção que faz a viagem. Da mesma forma que você faz uma viagem para um país distante, a fim de conhecer a fauna e a flora desse país, existe também uma viagem que pode ser feita para dentro, a fim de conhecer o seu mundo interior.

Durante a viagem interna, em um primeiro momento, você vai entrar em contato com seu corpo sólido, feito de carne e osso. Começará assim a entrar em contato com seus órgãos internos, e poderá sentir, por exemplo, as batidas do seu coração. Mas esse plano ainda pertence ao corpo físico.

Se for um pouco além, nesse mergulho em direção ao Ser, você descobrirá um segundo plano: o dos pensamentos, das emoções e, digamos, dos desejos. Ora, esse plano possui claramente uma outra substancialidade, diferente da do corpo físico. Ele também é tangível, porque você sente uma emoção, um desejo ou percebe um pensamento, mas a densidade desse plano é menor que a de um músculo, por exemplo, que pertence ao corpo físico.

Mas a viagem de conhecimento interior não pára aí. Existe ainda um terceiro plano que pode ser designado por vários adjetivos como, por exemplo, plano de calma, de tranqüilidade, de contentamento, de paz, de plenitude.

Quem está fazendo o processo de conhecimento interno não pode deixar de verificar que este terceiro plano é ainda mais sutil que o segundo. É um plano diferente do anterior, feito de pensamentos, emoções e desejos. Como é que o estudante do processo de conhecimento interno nota essa diferença? Da mesma forma que o cientista aprende por vivência, por conhecimento direto, este terceiro plano pode ser vivenciado pelo aprendiz do conhecimento interior como algo distinto do anterior e do primeiro. A este terceiro plano dá-se o nome de Alma.

Podemos comparar a vivência do mundo interior com a vivência do mundo exterior. O leigo vê, por exemplo, uma cadeira como um objeto que tem certa forma, feito para sentar. Já o físico também vê a cadeira como um objeto para sentar, mas vai além desse plano quando a vê como um conjunto de átomos. Sabe também que cada átomo da cadeira é formado por um núcleo positivo que contém prótons e nêutrons, e é cercado de elétrons. O conhecimento do átomo se deu no século XIX. Já o conhecimento das partes do átomo surgiu no século XX. Sabe-se ainda que os prótons, elétrons e nêutrons podem ser vistos como ondas. São, portanto, diferentes planos de conhecimento da cadeira. A mesma coisa se dá quando se trata do conhecimento do nosso ser.

A maioria das pessoas vê o ser humano como um corpo envolto por uma epiderme. Já um médico vai vê-lo com os olhos que a sua profissão lhe permite. Portanto, ele conhece o ser humano por intermédio de um processo racional. Mas nós, que buscamos conhecer a Alma, vamos muito além desse processo. Adentramos planos cada vez mais sutis do ser humano até atingirmos a calma e a paz.

Falando de um ponto de vista teórico, podemos verificar que isso está expresso no Raio de Criação. É sempre importante voltarmos ao livro Fragmentos de um Ensinamento Desconhecido, de P. D. Ouspensky. Na pág. 116 ele coloca o corpo físico no nível da Terra, submetido a 48 leis; o corpo astral no nível de Todos os Planetas, submetido a 24 leis; o corpo mental ou solar no nível do Sol, submetido a 12 leis; e o quarto corpo no nível de Todos os Sóis ou Via-Láctea, submetido a 6 leis. Ali fica claro que os nossos cinco centros funcionais - o mental, o emocional, o motor, o instintivo e o sexual - são o corpo astral e o corpo solar é a nossa Alma. Esse importante diagrama, que faz parte do ensinamento gurdjieffiano, é uma das maneiras de descrever o processo de penetração nos níveis mais sutis do ser humano.

Quero acrescentar agora uma coisa muito linda, usando a parábola “O Grão de Mostarda” (Marcos 4, 30-32):

[Jesus] disse mais: “A quem compararemos o Reino de Deus? Ou com que parábola o representaremos? É como o grão de mostarda que, quando semeado, é a menor de todas as sementes sobre a terra. Mas, depois de semeado, cresce, torna-se maior que todas as hortaliças e estende de tal modo os seus ramos, que as aves do céu podem abrigar-se à sua sombra.”

A Alma é lançada no corpo físico simbolizado pela “terra”, e, portanto, está integrada ao corpo com o objetivo de desenvolver-se, de ampliar-se. “Receber as aves do céu” significa receber as influências do mais alto nível do Universo. A Alma é o Corpo Solar.

Feita essa introdução, podemos examinar as questões que vocês querem colocar.

Aluno: Você disse que o Corpo Solar, no nível do Sol, equivale à Alma. No entanto, o Raio de Criação continua para cima. Há, portanto, planos superiores ao Sol. A minha pergunta é: a Alma não pertence a esses níveis superiores do Universo?

Paulo: Na verdade, a Alma não é a totalidade do nosso ser. Acima dela está a Atenção. A Atenção corresponde ao plano superior do Universo. Ela percebe o que nossa Alma faz. Mas é a partir da Alma que a Atenção pode atingir a totalidade do nosso ser. É fundamental compreender isto: se não vou para o núcleo central, que estamos chamando de Alma, não tenho a oportunidade de atingir a totalidade do ser.

Aluno: Ela é a nossa parte divina e, ao mesmo tempo, é o único elo de ligação entre este mundo horizontal e o mundo vertical, não é?

Paulo: Vamos pegar o Sol como analogia. Ele participa claramente de um plano que, aqui na Terra, mal compreendemos. Por outro lado, ele está absolutamente conectado com tudo ao seu redor, com tudo o que se passa na Terra e nos outros planetas. Esse centro solar é uma bela imagem da Alma. Ela tem um lado divino, feito à imagem e semelhança de Deus - para falarmos em uma linguagem religiosa - feito de tranqüilidade, de harmonia e de paz. O centro solar, porém, está envolvido continuamente com as coisas da vida. Daí a dificuldade em compreendermos bem o que é a Alma.

Aluno: Mas a Alma também está ligada aos planos superiores do Universo!

Paulo: Mas acontece que esse lado da Alma, engajado na vida, esquece do seu outro lado, o seu lado divino, solar.

Aluno: Então ela tem uma existência contraditória!

Paulo: Exatamente. Esse é o nosso grande problema, e é fácil compreender o porquê. Você não consegue participar de uma dada sociedade sem ser tingido por tudo que está nela. Uma escola de samba, por exemplo, é uma comunidade em que os que pertencem a ela participam de tudo o que nela acontece. O mesmo ocorre com a Alma. No momento em que está engajada com o plano terrestre, participando de tudo que pertence a ele, ela tem a tendência de se esquecer dos outros planos. É normal! Tudo aquilo em que você se engaja produz um envolvimento que, muitas vezes, o faz esquecer de todo o resto. Um imigrante, por exemplo, sai do seu país e vai para outro. Com o passar do tempo, ele se adapta ao novo país, esquecendo-se, muitas vezes, de seu país de origem. Ele pode, porém, adaptar-se ao novo país, sem esquecer a sua origem.

A nossa chance é que podemos nos considerar imigrantes, e todo imigrante pode conservar, de alguma maneira, a memória do seu país de origem. Mas se ele perder completamente a memória do seu lugar de origem, nunca mais voltará lá. A partir dessa analogia, podemos compreender melhor a idéia gurdjieffiana de “lembrança de si”. Nesses termos, “a lembrança de si” é a lembrança da nossa origem.

Aluno: Todos os seres possuem Alma?

Paulo: Essa questão é complicada! De certo ponto de vista, podemos dizer que todos os seres possuem Alma. A questão é quanto à qualidade dessa Alma. Esse assunto é difícil e doloroso.

Aluno: Estamos falando em qualidade de Alma ou em nível de ser completo?

Paulo: Estamos falando em qualidade de Alma. É um assunto difícil de determinar, porque se refere à origem dela. Nem todas as Almas têm a mesma origem. Mas vou deixar essa questão em aberto. É preciso saber, porém, principalmente quem está no caminho interior, que a questão da qualidade da Alma existe. Em várias épocas, esta questão tem sido colocada: todas as almas possuem a mesma origem?

Para o cristianismo todas as almas são filhas de Deus. Mas de que Deus está-se falando?

Essa questão é muito delicada. Se não for examinada com muito cuidado, pode levar a todo tipo de desvio.

Aluno: Se na hora da morte, a materialidade média da minha alma está em um determinado nível, a minha sensação é a de que ela vai ser atraída para aquele mesmo nível. Então, neste sentido, talvez, as almas também venham de níveis diferentes.

Paulo: É possível, é outra possibilidade.

Aluno: A Alma não pode mudar de nível, ir para outro nível?

Paulo: Em alguns casos sim, em outros não. Depende de sua origem, porque ela volta sempre à sua origem. Este é o problema. Só vamos apontar essa questão, não vamos desenvolvê-la, porque é muito complexa.

Aluno: Por que a alma vem para este mundo? Ela precisa mesmo viver neste mundo?

Paulo: Na verdade, ela vem atrás dela mesma. No Universo, tudo é composto de dois lados. Os taoístas retratam essa verdade no símbolo do Tai chi, o Yin/Yang. A Alma é também uma dualidade. Ela tem um lado puro, estático, olímpico, mas tem também uma parte envolvida com tudo. Voltemos ao exemplo do Sol: ele tem um núcleo central, distante da Terra, mas os seus raios se envolvem com tudo que está na Terra. Esses dois lados fazem parte da essência do Universo. Não há nada no Universo que não seja composto de dois. A Alma, então, sendo por natureza composta de dois, também tem dois lados: um deles é destacado e o outro é envolvido. O que importa nesse jogo é que, finalmente, essas duas partes se reconheçam como sendo as duas faces da mesma coisa. Este é o jogo: uma grande “brincadeira” chamada, na tradição hindu, de lila. E é esta a finalidade do jogo: que a parte que se lançou e se esqueceu de si própria se lembre e volte. Fazendo analogia com um plano mais concreto, podemos afirmar que, por menos que os planetas sejam importantes para o Sol, é indubitável que tudo o que o Sol produz é muito importante para os planetas. Aqui na Terra, é indubitável que, de alguma maneira, cada folha de grama, cada inseto é, de alguma maneira, uma expressão do Sol. O importante é compreendermos que a vinda do Sol para o nosso planeta, através dos raios solares, simboliza o nosso lado engajado, e é altamente produtiva e expressiva. Portanto, nossa vinda para a Terra é muito importante. Se a nossa alma só ficasse no seu lado olímpico, destacado, ela seria incompleta. É apenas no lado engajado da Alma, neste lado que está participando e sofrendo aqui na Terra, que pode haver vida. É através dele que o Divino pode se expressar. É esse o grande sentido da vida!

Aluno: Mas para o lado destacado da nossa Alma, a vida não faz o menor sentido. Quando a gente se aproxima do estado de paz e silêncio, a vida fica uma loucura.

Paulo: É por isso que, na vida neste planeta, o jogo é montado na dualidade, como em todo o Universo.

Aluno: Então, para escaparmos da dualidade, é necessária uma terceira coisa?

Paulo: A terceira coisa é o despertar que ocorre para certas pessoas. Elas se dão conta de que há algo incompleto aqui. É essa coisa que começa a se questionar e que vai ligar o lado desengajado da alma com o lado engajado. É por isso que, quando a pessoa se sente completa, não há maneira de inocular isso nela. O estudante da vida interior tem a sensação de não estar completo. Ele, então, começa a indagar-se, a procurar respostas, e é isso que o torna diferenciado. Poucas pessoas têm esse anseio, poucas são sensíveis a esse chamado.

Aluno: Então, não há possibilidade de se ajudar os que estão desinteressados?

Paulo: O que você pode e deve fazer é expor esse conhecimento, sem ter a menor idéia de quem vai receber sua oferta. É diferente das religiões, que estão tentando convencer os seguidores, emocional ou mentalmente. No plano em que trabalhamos, isso é impossível.

Aluno: O que das experiências de vida resta em proveito da nossa alma?

Paulo: A parte eterna da Alma nunca é afetada. A outra parte tem de passar pela vivência, pela experiência, para poder crescer.

Aluno: Vida e Alma são a mesma coisa?

Paulo: Num sentido mais amplo, até uma ameba tem vida e, portanto, tem alma. Mas no sentido em que estamos tratando da questão, não. A alma humana é muito típica, pois é a única que tem a capacidade de tomar consciência de todo o processo. Poderíamos dizer que a alma humana é um dos mais preciosos produtos da vida.

Aluno: Percebo que há coisas em mim que têm origem nos condicionamentos que me foram impostos ao longo da vida. Há outras, porém, que vêm de algo muito mais profundo e que me conduzem sempre. Desde criança percebo influências que me empurram e que não fazem parte da minha hereditariedade, da minha educação.

Paulo: Um dos ensinamentos sobre a Alma é que, na verdade, é ela que dirige toda a nossa vida. É ela que está por trás de tudo! Temos um plano inato, um temperamento que nasceu conosco, aliado ao plano da nossa história pessoal, mas temos também um terceiro plano que não tem nada a ver com estes dois primeiros, e que se expressa por meio de sentimentos, intuições, de uma percepção espantosa.

Aluno: Para mim, isso se expressa através de um sentimento de falta. Desde muito cedo, sinto uma falta que não se refere a nada de material.

Paulo: O que vocês estão falando é que a Alma tem tudo a ver com o sentimento. As pessoas, em geral, não distinguem emoção de sentimento. Não foram treinadas para isso, para essa forma de conhecimento interior. Confundem emoção com sentimento e uma coisa não tem nada a ver com a outra. Um sentimento de falta profundo é uma emanação típica de nossa Alma central, e não tem nada a ver com o plano das emoções.

Aluno: Quando olhamos para o diagrama a que você se referiu anteriormente, sempre nos deparamos com a questão do corpo astral. O corpo físico está pronto; os corpos superiores também. O único nível que está incompleto, confuso, fragmentado, onde estão todos os nossos problemas, é o nível do corpo astral. Que relação isso tem com a nossa Alma?

Paulo: A Alma lança a sua parte engajada neste mundo através dos três centros. O problema está exatamente nesta parte engajada, que são os raios da Alma. Ela se perde neste mundo e torna-se causadora de desarmonia. Portanto, o mundo dos sentidos, dos desejos, é o mundo dos funcionários. E os funcionários nunca têm culpa! O culpado é sempre o dirigente. Ele é culpado por ter escolhido mal seus funcionários ou por não ter percebido as dificuldades e necessidades deles. A questão toda está no lado engajado da Alma. Ela acaba se envolvendo com tudo, e para usar uma expressão de um texto importante da tradição ocidental, come daquela comida. E se você comeu daquela comida, é igual a ela. Então, esse lado arremessado da alma passa a comer da comida dos problemas mentais, emocionais e dos desejos orgânicos, e, assim, desorganiza todo o sistema!

Aluno: Isso coloca o Sr. Gurdjieff em um patamar muito alto, porque ele foi o único mestre que conhecemos que falou claramente dos centros e da situação deles. Foi o único que trouxe, com clareza, a questão do trabalho equivocado dos centros, da desarmonia deles.

Paulo: O Sr. Gurdjieff legou-nos uma estrutura de idéias, um sistema inigualável, que se revela cada vez mais fértil. Encontro textos ocidentais, dos anos 90 para cá, que nem sequer mencionam o nome do Sr. Gurdjieff, mas usam abertamente conceitos trazidos por ele. Sem dúvida nenhuma, o Sr. Gurdjieff adoraria isso, porque o papel dele era exatamente este: difundir essas idéias. Aliás, o século XX foi o século dessas idéias. E elas não vieram somente através do Sr. Gurdjieff. Foi nesse século que muitas coisas, esquecidas por dois mil anos, puderam ser recuperadas. O século XX é o mais brilhante de todos. E nele, o papel do Sr. Gurdjieff foi crucial. Por isso, estamos empenhando-nos para esmiuçar suas idéias. Elas são ferramentas de trabalho interior de fundamental importância.

Aluno: As idéias dele estão correndo pelo mundo. Quem quiser e puder vai pegá-las!

Paulo: Se concebermos um plano grande de expansão dessas idéias, e sabendo que muitas pessoas estão procurando se informar a respeito, nos damos conta da extrema importância de uma revista como esta! Ela vai parar concretamente nas mãos de certo número de pessoas. Atualmente, com a colocação dela no nosso site, vai estar disponível para um número muito maior de pessoas. Mas a revista impressa no papel ainda tem grande relevância, porque ela fica. Já com a divulgação por meios eletrônicos, não sabemos o que vai acontecer.

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Mãe do Mundo. Pintura de Nicholas Roerich.

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Diagrama do Raio de Criação, apresentado pelo Sr. Gurdjieff, no livro Fragmentos de um Ensinamento Desconhecido, de P.D. Ouspensky, pág. 116, Editora Pensamento.

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A Virgem imaculada é um dos aspectos mais representativos do grande e maravilhoso mistério que é a Alma. Virgem do Magnificat. Botticelli.

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“Eu sou a rosa de Sharon e o lírio dos campos” (Cântico dos Cânticos de Salomão). R. Fludd, Summum Bonum, Frankfurt, 1629.

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A Alma normalmente é representada em seu aspecto feminino. (Egito)

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A visão de um dos maiores mestres espirituais que o planeta Terra já recebeu, em um de seus raros momentos de descanso, é, por si mesma, uma porta para o infinito.

DIÁLOGOS COM UM HOMEM DE ATENÇÃO....Voltar para o Índice

LAURO RAFUL

Desvendando o dinheiro

SER: O que é o dinheiro e qual é sua função no mundo?

LAURO: O dinheiro é uma força de união, que pode se apresentar concretamente sob a forma de papel-moeda ou de ouro. Para alguns, é uma força sagrada, mas não vamos falar nesses termos; diremos que, basicamente, o dinheiro é uma força. Quem tem dinheiro tem poder! O dinheiro é o intermediário que liga coisas, que abre possibilidades. Temos de gravar bem essa idéia: o dinheiro é uma força de ligação entre o homem e o mundo ao seu redor. Assim, se eu quiser comprar uma casa, uma obra de arte ou obter o serviço de alguém, preciso ter dinheiro. E, obviamente, estamos sempre precisando de algo para suprir nossas necessidades ou para nos proporcionar prazer.

SER: O dinheiro determina o valor das coisas?

LAURO: Sim, é ele que determina o valor das coisas, como, por exemplo, o valor de uma obra de arte ou de uma propriedade. Na verdade, só conhecemos a parte concreta do dinheiro, que corresponde a seu corpo físico, mas existe uma alma contida nele, que é a força de que falamos.

SER : O animal não lida com dinheiro; portanto, dinheiro pressupõe uma organização, não é?

LAURO: Sim, você tem razão, ele pressupõe uma organização mental. É a partir do nível humano que o dinheiro se concretiza.

SER: Ele existe acima do nível humano também?

LAURO: Com certeza existe. O deus Mercúrio, na mitologia romana, faz a ligação entre os deuses e os homens. Como Mercúrio, o dinheiro é força de união, portanto, ele pode ser considerado uma força divina.

SER: É também fonte de comunicação, não é?

LAURO: Sim, de todo tipo de comunicação, porque o dinheiro não é apenas fonte de união; é também fonte de discórdia. Ele deveria ser apenas força de união, mas vemos que, muitas vezes, promove separação. É o que acontece, em geral, entre os seres humanos, e isso nos faz pensar que o dinheiro é um mal. O dinheiro em si não é bom nem mau.

SER: Deve existir um lugar justo para o dinheiro em nossa vida...

LAURO: É claro que deve existir! O dinheiro não pode ser o único objetivo na vida das pessoas, mas é preciso saber ganhá-lo e lidar com ele de maneira justa. Essa conversa de que temos de renunciar ao dinheiro, fazer voto de pobreza, é uma visão pequena do assunto. Vivemos em um mundo em que precisamos dos meios materiais que o dinheiro traz. Ele supre nossas necessidades e as das pessoas à nossa volta. Todos nós precisamos ter dinheiro. Por isso, devemos dedicar parte de nossa vida para ganhá-lo, e isso é justo. Agora, a idéia moderna de que temos de trabalhar dezoito horas por dia e viver em função de ganhar dinheiro está errada. Temos de saber ganhá-lo. O Sr. Gurdjieff dá um exemplo disso no livro Encontros com Homens Notáveis, quando trata da questão material. Vemos que ele dedica parte de sua vida a ganhar dinheiro, mas a vida dele tem um objetivo muito maior, ao qual ele dedica muito mais do seu tempo. Sem dúvida, parte do nosso dia precisa ser empenhada no ganho material, mas não podemos nos esquecer de que a morte pode nos pegar a qualquer momento. Você deve, portanto, dedicar um “x” do seu dia para ganhar dinheiro, mas não dezoito horas! Não deve largar todo o resto para viver em função disso. Significaria ganhar dinheiro só pelo dinheiro, ou só para obter coisas. Essa medida não é justa! Eu diria que precisamos dar ao dinheiro um lugar justo em nossa vida.

SER: Mas, nos dias de hoje, para ganhar dinheiro em uma metrópole como a nossa, temos de trabalhar muito! Muito mais do que se morássemos na roça, onde teríamos o tempo justo para plantar e colher e, com isso, conseguir o dinheiro necessário para viver.

LAURO: Não, na verdade, não funciona dessa forma! Se você pensar em termos de um lavrador comum, verá que ele fica o dia inteiro trabalhando. Ele se levanta às quatro e meia da manhã, vai ordenhar vaca e depois vai executar outras atividades. Se for o administrador da fazenda, acorda cedo para comandar os peões e passa o dia todo trabalhando. Quando o homem primitivo vivia da caça, tinha o mesmo problema: ficava o dia inteiro caçando. E era difícil viver da caça, pois, se um dia ele caçava e obtinha alimento, muitas vezes passava outros três sem conseguir caçar nada. O problema, portanto, é sempre o mesmo. O homem e a mulher têm de ter uma inteligência tal que os faça colocar o tempo justo no ganho material.

SER: Mas isso ainda não aconteceu com a humanidade!

LAURO: Com a humanidade não, mas pode acontecer individualmente. Um indivíduo ou certo número de indivíduos pode fazer isso, mas a humanidade, como um todo, não pode. Uma enorme parte dela vai viver sob o império do trabalho, vai ser escrava de organizações. Quando você pleiteia um cargo em uma organização, é comum ouvir a frase “Você terá de dar o sangue pela empresa”. É uma frase muito comum por aí e você acha que é justa! Fica claro que você terá de dar a sua alma, e isso não é justo! Esse não é o lugar justo para o dinheiro em sua vida. Você deveria ter um tempo determinado para ganhar dinheiro e um tempo restante para atingir outros objetivos na vida. Mas, para isso, é preciso ter inteligência, sensibilidade e agir de forma hábil em relação ao assunto. Vamos desenvolver isso mais adiante.

SER: Percebo que, quando começamos a ganhar dinheiro, a tendência é ficarmos totalmente envolvidos nisso, sem enxergar mais nada.

LAURO: O que acontece basicamente é que as pessoas, em geral, procuram na profissão uma forma de ganhar dinheiro, e o objetivo da atividade profissional não deveria ser apenas esse. O trabalho profissional deveria ser fonte de prazer, mas poucas pessoas conseguem fazer da atividade profissional uma fonte de prazer.

SER: O que você está falando faz muito sentido para mim. Hoje entendo o trabalho profissional como um treinamento para a alma, um meio de crescimento para ela, um meio pelo qual ela aprende a lidar com a questão material.

LAURO: No livro Os Cinco Pilares da Felicidade, o Paulo e eu afirmamos que todos devem dedicar um pouco de seu tempo para cada pilar de sua vida. O trabalho profissional constitui apenas um deles. Não podemos ficar apoiados em uma única coluna. As mulheres, em geral, queixam-se de que seus maridos vivem em função do trabalho e se esquecem do amor, da família, de sua participação no mundo e até mesmo de sua saúde. Os cinco campos, que acabo de relacionar, constituem os cinco pilares de nossa vida. O ideal é dividir nosso tempo pelos cinco. No entanto, vemos que o homem moderno é um workaholic, um viciado em trabalho, que, por isso, esquece de dedicar o seu tempo aos outros quatro pilares da vida.

SER: Por que algumas pessoas têm mais facilidade para ganhar dinheiro do que outras?

LAURO: Para ganhar dinheiro, é preciso, em primeiro lugar, ter uma inteligência aguçada e, em segundo lugar, querer, de fato, ganhá-lo. Todos querem ter dinheiro, mas não aprendem a ganhá-lo. Uma coisa é ter uma profissão, outra é querer ganhar dinheiro. Você tem de repetir para si mesmo: eu quero ganhar dinheiro!

SER: Essa idéia deve ficar muito clara, não é?

LAURO: Sim, essa idéia deve ficar bem clara na mente da pessoa, deve tornar-se um foco no qual ela vai concentrar parte de sua atenção. Vemos à nossa volta pessoas que se dedicaram a essa idéia e conseguiram atingir seu objetivo, porque tiveram sensibilidade, inteligência e praticaram ações justas nessa direção. São pessoas que se concentraram na obtenção de dinheiro. Sendo assim, encontraram maior facilidade em consegui-lo. Mas há também outro detalhe: entre os doze signos do zodíaco, há tipos com maior aptidão para ganhar dinheiro. Quando o Paulo fazia a “tiposofia” das pessoas, apareciam tipos cuja previsão era de ganhar dinheiro apenas a partir dos quarenta anos. Essa idéia é estranha, não é? Pois eu me lembro especificamente de uma mulher que o Paulo percebeu que só ganharia dinheiro a partir dos quarenta anos. Até essa idade, essa mulher fez coisas que não lhe proporcionaram um bom ganho e, de repente, depois dos quarenta, o destino dela seguiu outra direção. Há outros tipos que, logo cedo, começam a ganhar muito dinheiro. Então, podemos constatar que o tipo astrológico também pode influenciar o fato de uma pessoa ganhar mais ou menos dinheiro.

SER: Podemos relacionar sorte com tipo?

LAURO: Muitas vezes! Há tipos que têm mais sorte que outros, mas os que não têm essa facilidade vão ter de desenvolver uma determinação em relação ao assunto. Dinheiro vem com determinação! Pode vir mais para uns e menos para outros. Eu diria também que, para alguém se tornar milionário, não basta determinação. É preciso que seja esse o seu destino. Por exemplo, o Bill Gates teve determinação para ganhar dinheiro. Na verdade, teve determinação, inteligência e senso de oportunidade! Por isso, abriu a porta certa. Tal como o Marum, o herói de uma das nossas histórias, baseada nas Mil e Uma Noites, o Bill Gates teve acesso ao anel dentro do qual habitava um “gênio” poderoso. Podemos dizer que o dinheiro é o gênio do anel ou que o gênio simboliza o dinheiro. Ganhar dinheiro estava agendado para o Marum! Essa história se repete de outras formas nas Mil e Uma Noites. Por isso, muita gente tenta ser o Bill Gates e não consegue! Cada um tem de encontrar a sua chance. Dinheiro também está relacionado com senso de oportunidade. Se alguém lhe disser “Abriu-se uma oportunidade para você”, aproveite-a, porque ela pode não se apresentar novamente. Diz-se que a oportunidade é como uma mulher cabeluda vista de frente; você a vê passando, se deslumbra com ela e pensa que, assim que ela passar, vai agarrá-la pelos cabelos. Acontece, porém, que ela é careca na parte de trás da cabeça. Você não pode deixá-la passar, tem de pegá-la de frente! Em nosso caso pessoal, no do Paulo e no meu, aconteceu desta forma: começamos a ganhar a vida, aproveitando possibilidades que não tinham nada a ver com o que estávamos programando naquele momento. Estávamos caminhando em uma direção e, de repente, surgiu uma outra. O que acontece é que, se você tem sensibilidade para aproveitar aquela situação que apareceu, e isso vale tanto para o dinheiro quanto para o campo amoroso, outras se oferecerão. Quanto mais você aproveita as oportunidades, mais elas aparecem! E isso não contradiz o que acabamos de falar. Algumas pessoas pensam que podem cria-las. Não! Se o Bill Gates não tivesse aproveitado aquela ocasião, talvez não fosse o Bill Gates que é hoje. Ele pegou a oportunidade na hora certa!

SER: Existe uma limitação real do destino de uma pessoa em relação à questão do dinheiro? Em caso afirmativo, é possível superar ou mesmo minimizar essa situação, ficando no topo da onda de sua possibilidade?

LAURO: Sim, já falamos um pouco sobre isso. Se souber que, por tipo astrológico, você vai ganhar mais dinheiro a partir dos quarenta anos, poderá, antes disso, aprender algumas regras sobre ele. Terá, por exemplo, de ser ativo frente a essa possibilidade. Algumas pessoas ficam passivas diante disso. Assim, se eu me formar em certo campo profissional, não posso esperar que alguém me convide para trabalhar. Vou procurar fazer contatos e ficar aberto para outras atividades relacionadas com esse campo. Por exemplo, alguém quer ser ator, mas encontra a oportunidade de trabalhar como roteirista de cinema. Tem de aproveitá-la! A pessoa deve minimizar suas dificuldades em relação ao ganhar dinheiro, usando sua inteligência, sua sensibilidade e os meios hábeis para isso. Não pode ficar presa a conceitos sobre o dinheiro, ou ficar pensando: “Ai, as coisas são tão difíceis para mim!”. Não, não, não! Sabemos que as coisas são difíceis para todo o mundo, mas existe sempre uma oportunidade para cada um. Há sempre uma mulher cabeluda vindo de frente em sua direção!

SER: Vejo também o seguinte: uma pessoa tem a possibilidade de realizar um determinado trabalho; se ela o realiza o mais perfeitamente possível, dá o melhor de si, mesmo que aquilo não lhe renda muito dinheiro, pode ser que, mais adiante, alguém reconheça a qualidade do seu trabalho e a convide para fazer coisa melhor.

LAURO: Já que você tocou nesse ponto, vamos nos ancorar no que foi dito no livro Encontros com Homens Notáveis, de autoria do Sr. Gurdjieff. Um dos homens notáveis que ele encontra lhe diz: “Faça tudo bem feito, porque, algum dia, alguém pagará por isso”. Portanto, dê o melhor de si mesmo! Use sua inteligência! Não seja preguiçoso! Não tenha medo de trabalhar! No começo talvez tenha de trabalhar, digamos, dezoito horas por dia, mas faça-o apenas por tempo determinado. Estabeleça um prazo para isso! Existe um período para plantar. Atendo aqui um rapaz que não consegue vir ao Grupo, porque está montando um negócio imenso. E eu lhe digo: “Está bem, fique tranqüilo, é hora de plantar”. Mas ele não pode se esquecer de que isso é válido somente por certo tempo.

SER: Por que pessoas de má qualidade costumam atrair tanto dinheiro na vida?

LAURO: Falar em pessoas de má qualidade é julgamento. Falamos desta forma porque pensamos nos políticos ou em certos milionários que ganharam a vida enganando os outros, e não por esforço pessoal. Mas isso é uma maneira de pensar. Há muitos milionários que ganharam a vida se esforçando, que não enganaram ninguém! E estão dando emprego a centenas de pessoas.

SER: Por que existe a lenda de que o dinheiro é atraído pela má qualidade?

LAURO: É apenas uma lenda. O que podemos dizer é que o dinheiro, muitas vezes, cai na mão de gananciosos, e é aí que aparece a idéia de má qualidade. A pessoa fica pensando apenas no dinheiro e se esquece de cuidar de todo o resto: do amor do coração, do lazer, da família, etc. Está aí a má qualidade! É o dinheiro pelo dinheiro! Essa pessoa se concentra em um foco único e faz do dinheiro o seu deus. O dinheiro pode servir para matar milhares de pessoas, como nas guerras, ou para curar milhares de outras. Voltamos aqui à história do gênio do anel, que diz a Marum: “Você quer que eu arruíne ou construa, que mate reis e rainhas ou os traga para você, que faça aparecer uma cidade inteira ou aniquile um país, que cubra de flores uma região ou que a devaste?” Não é função do dinheiro escolher o seu uso. No fundo, a grande desgraça é a ganância humana. Por exemplo, o desmatamento se deve a isso. O ser humano é ganancioso; o dinheiro apenas canaliza essa característica. O dinheiro, como o gênio, apenas diz: “Ouço e obedeço”. Se o seu pedido vem da ganância, o dinheiro vai semear a discórdia. Agora, se você o utilizar para o crescimento do seu ser e das pessoas à sua volta, se lhes oferecer emprego, dando-lhes a oportunidade de levarem uma vida mais confortável, se lhes transmitir conhecimento, se gerar benefícios para elas, o dinheiro estará canalizando o bem. Nesse sentido, os grandes homens de negócios, que dão emprego a muita gente, são pessoas beneméritas. Não podemos dizer: “Ah, mas eles estão lucrando com isso”. Todo negócio tem de dar lucro! Tem de gerar empregos! Se você tiver uma qualidade interior, pode transmitir algo bom a seus subordinados.

SER: Sabemos o quanto é difícil para um jovem tomar uma decisão vocacional acertada. Então, como podemos orientar um filho ou sobrinho de tal maneira que ele não perca seu talento natural e, ao mesmo tempo, possa seguir um caminho profissional coerente e interessante do ponto de vista prático?

LAURO: Você tem de lhe ensinar o básico. Precisa perguntar-lhe o que ele realmente quer fazer na vida. Assim, por exemplo, se ele deseja ser chef de cozinha, deve orientá-lo a seguir um bom curso para isso. Ele tem de fazer aquilo de que realmente gosta. Tem de seguir mais ou menos sua vocação profissional inata, mas deve ter também em vista o ganho que essa profissão vai trazer-lhe.

SER: E se a pessoa escolhe uma profissão que não vai dar muito dinheiro e resolve ficar esperando para ver o que acontece?

LAURO: Isso me lembra um médico que ficava em seu consultório lendo jornal o dia inteiro, esperando que o paciente viesse até ele. Essa atitude vai contra a proposta de ganhar dinheiro. Se aquilo que você fez não estiver dando dinheiro, você deve tentar furar o bloqueio. Ficar esperando em uma circunstância como essa é uma atitude, no mínimo, tola. No caso que acabei de mencionar, a escolha profissional foi feita por parentes. Na verdade, esse médico deveria ter sido professor de Geografia, porque, quando o assunto da conversa versa sobre esse assunto, os olhos dele brilham. Ele é um apaixonado pela Geografia e odeia a Medicina. Então, em primeiro lugar, deve-se procurar seguir a própria vocação. Depois, tentar furar eventuais bloqueios que estejam impedindo a pessoa de ganhar dinheiro. No caso que descrevemos, furar bloqueios significa, por exemplo, montar uma clínica junto com outros médicos, fazer propaganda da clínica, etc. Se, mesmo assim, ele não ganhar dinheiro com isso, então, o melhor é procurar fazer outra coisa que lhe possa proporcionar ganho. O jovem tem de aprender a aproveitar as oportunidades que lhe aparecem. Não pode ficar na cama esperando que a chance venha bater à sua porta.

SER: Aumentar a energia corporal pode atrair mais dinheiro?

LAURO: Sem dúvida nenhuma. A pessoa que tem uma carga energética maior atrai mais dinheiro. Eu sei disso porque trabalho pessoas no sentido de aumentar a sua energia. As pessoas que trabalham nesse sentido perdem um monte de conceitos bobos que estão na sua cabeça; livram-se também de alguns medos sem sentido; além disso, uma série de tensões é afrouxada. Com isso, a energia delas flui melhor, fazendo com que tenham novas idéias. É como se seu organismo passasse a trabalhar com gasolina aditivada em vez de usar gasolina comum. As coisas começam, então, a ficar mais fáceis e o mundo responde de forma favorável. Como elas olham o mundo sem tanto medo, como não têm mais tanta preguiça, começam a ganhar mais dinheiro.

SER: Essa é uma dica incrível!

LAURO: Sem dúvida! Quando você está com essa energia fina, perde suas bobeiras: as idéias falsas, os medos infundados, etc. As pessoas que eu trabalho costumam dizer: “Puxa, eu vivia no medo, não sabia me movimentar, não sabia pensar direito e agora tudo mudou”. Um aumento de energia nos faz pensar melhor, sentir melhor e agir melhor. Essa é a grande tríade!

SER: Amor e dinheiro são faces da mesma moeda?

LAURO: Eu diria que sim. Se o dinheiro é Mercúrio - o mensageiro que faz a união dos deuses com os humanos -, então Mercúrio e Eros, o deus do amor, podem ser considerados como a mesma força. Para atrair dinheiro precisamos ter magnetismo. Para atrair amor, também. Sem magnetismo não atraímos nada.

Nas moedas antigas, havia de um lado o poder espiritual, simbolizado pela figura do Papa, e, do outro lado, havia o valor da moeda, simbolizando o poder material. Isso demonstra que amor e dinheiro são duas faces da mesma moeda. É o famoso dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.

SER: Quem não tem uma boa dose de energia não tem nem um nem outro.

LAURO: É isso mesmo! Magnetismo é força de atração. Se você tiver força interior, força de decisão, de ação, de sentimento, você terá força de atração. A pessoa que se queixa da falta de seu quinhão no campo do amor não está trabalhando de forma correta essa força de atração. Nesse sentido, quando fazemos palestras sobre o amor, falamos muito em abrir o coração. Não se trata apenas de abrir o coração para um parceiro sexual, mas para todas as formas de amor. E isso começa a atrair mais dinheiro. Então, você tem de abrir o coração para ambos: o amor e o dinheiro. Eu diria que os dois são irmãos.

SER: O que significa abrir o coração para o dinheiro?

LAURO: Significa que você tem de gostar de dinheiro e de todas as possibilidades que ele oferece. O dinheiro deve servir para o desenvolvimento da alma do ser humano, fazendo, por exemplo, com que ele possa divertir-se, amar, conhecer lugares novos e assim por diante.

SER: Há quem diga que, se visualizarmos diariamente dinheiro entrando em nosso bolso, isso se concretiza. Essa teoria tem fundamento? Existem no mundo leis básicas que possam ajudar-nos a lidar melhor com a questão material?

LAURO: É claro que sim! Se você colocar uma boa dose de concentração nisso, se dedicar parte do seu tempo a isso, perguntando-se todos os dias: “Como posso ganhar mais dinheiro?” ou: “O que pode me ajudar a caminhar nessa direção?”, você estará, de fato, construindo essa realidade. Se esse é o seu interesse, o mundo responderá a ele. O corpo não responde bem quando você quer melhorar sua saúde e se empenha nesse sentido? Agora, se você ficar agredindo o seu corpo de várias formas, é claro que a saúde será afetada. O mesmo se aplica ao dinheiro.

SER: Se pudéssemos criar nossos filhos de acordo com esses princípios, ganhar dinheiro não seria um problema para eles, não é?

LAURO: Não, nunca se sabe no que alguma coisa vai dar. Sua parte é treiná-lo, mas não se sabe qual será o resultado. É o que se faz nas escolinhas de futebol, e vemos como é difícil sair delas um bom jogador. Entre centenas de milhares de alunos, raramente vai aparecer um jogador realmente bom. Assim, cabe-nos treinar o indivíduo o melhor possível. Mas, ao mesmo tempo, temos de curvar-nos à natureza daquele ser.

SER: No que diz respeito aos pais que dão tudo para os filhos e não os ensinam a ir buscar o próprio dinheiro, não seria muito melhor se, em vez de lhes darem tudo, os treinassem nessa direção?

LAURO: Certos milionários, certos donos de empresa fazem isso com os filhos e tem dado certo. Antigamente o filho gastava tudo o que o pai deixava. Existe até o dito: pai rico, filho pobre, neto miserável. Hoje em dia, há muitos pais que treinam os filhos para ganhar dinheiro, em vez de só gastar. Você pode, por exemplo, ensiná-los através de estratégias militares. O livro de nossa autoria, SUN TSÉ - A Arte da Guerra aplicada à arte de viver, tem muitas estratégias que podem ser usadas para ganhar dinheiro. Devem-se utilizar as fontes que trazem instruções a esse respeito. O oráculo I CHING também está cheio de dicas nesse sentido.

SER: Na questão material, percebemos que existem duas etapas. Na primeira, precisamos garantir nossa sobrevivência, ou seja, nosso sustento básico. Na segunda, podemos ousar ir além e desenvolver, com sucesso, a arte e a ciência de ganhar dinheiro. Você concorda com essa visão?

LAURO: A primeira coisa a se ensinar para um ser humano, principalmente para uma filha, é que ela precisa manter-se, sem depender de homem algum. A mulher não pode depender do homem, porque o interesse sexual dele vai até certo ponto, depois acaba mudando de direção, e ela fica a ver navios. Essa lei vale para os dois sexos. Então, deve-se primeiramente ensinar o filho ou a filha a garantir seu sustento básico, pois isso já facilita muito. É importante não depender de ninguém. Ao mesmo tempo, você deve tentar alçar vôos mais altos e, se for o seu destino, pode ganhar muito dinheiro. É importante também saber guardar o dinheiro que se ganha. Costuma-se dizer que dinheiro não aceita desaforo! Às vezes a pessoa tem a capacidade de ganhar dinheiro, mas, depois, não sabe lidar com ele. Há uma frase famosa entre os americanos: “Não é porque você soube ganhar dinheiro que saberá administrá-lo”. Isto contém uma grande verdade. Há pessoas que não sabem administrar o dinheiro. Ele é uma força tão potente que queima na mão delas! Ele faz aflorar o que temos de melhor e de pior! Se você tem algum dinheiro guardado, não o empreste a ninguém, pois, além de correr o risco de perdê-lo, ainda pode arranjar um inimigo. Não deixe que seu dinheiro se esgote na mão dos outros. Se, por exemplo, um filho lhe pede um carro de presente e você tem dinheiro para comprá-lo, procure fazê-lo com parcimônia. O dinheiro é escorregadio, como o mercúrio. Aprenda a lidar com essa força mercurial!

SER: As condições para negócios e investimentos estão em constante mutação. Como podemos desenvolver o poder de surfar nessas ondas mutantes com competência?

LAURO: Quando você vai iniciar qualquer empreendimento, deve, em primeiro lugar, reunir um grande cabedal de informações sobre o que deseja fazer. Muitas vezes, o mercado nos mostra que o que pretendemos fazer é uma grande ilusão. É preciso refletir bem antes de ir atrás de uma idéia maravilhosa. É claro que se pode começar hoje para daqui a dois anos estar na crista da onda! É preciso usar sua habilidade para se informar bem sobre o assunto e pôr em ação sua sensibilidade nas horas de decisão. Se você me perguntar quais são os três bons pedidos que deve fazer ao gênio para que seu negócio dê certo, eu lhe direi para pedir inteligência, sensibilidade e ação justa. Se um gênio lhe der isso, você não precisa pedir dinheiro! Você vai fazer dinheiro!

SER: Há um exemplo nesse sentido que eu acho incrível: o Che Guevara foi para Cuba em um momento muito propício para fazer uma revolução. Quando deu certo, ele pensou: “Agora eu vou para o Congo; se funcionou em Cuba, vai funcionar no Congo”. Ele não percebeu que, no Congo, aquele não era o momento nem o lugar propício para fazer uma revolução. Depois repetiu a atitude na Bolívia. Por isso, acabou morrendo na Bolívia, no meio da selva.

LAURO: É um exemplo perfeito para colocarmos uma idéia fundamental que temos trabalhado com vocês. Quando a revolução em Cuba deu certo, ele pensou: “Eu fiz a revolução acontecer”! Não, não foi ele que fez a revolução acontecer, nem o Fidel! Eles tiveram habilidade, a afinação certa, mas dizer “Eu fiz” ou “Nós fizemos” é um grande erro. Ele não percebeu que funcionou porque era o momento certo para aquilo acontecer. Se o Che Guevara tivesse ficado lá em Cuba, tranqüilo, talvez hoje estivesse ainda vivo, fazendo conferências pelo mundo. O Felipão não está dando conferências sobre futebol? O mesmo se aplica ao mundo dos negócios. Se colocarmos dinheiro na Bolsa de Valores, temos de ficar atentos às alterações no mercado. Precisamos perceber as mudanças de direção antes que elas aconteçam! Outra coisa: o dinheiro não aceita aprisionamento. Ele tem de estar rodando. É uma força que você deve movimentar: colocá-lo em um banco para gerar rendimento, em um imóvel para morar ou em algum outro lugar.

Eu, particularmente, não aconselho ninguém a aplicar dinheiro em Bolsa de Valores, a não ser que tenha grande experiência no setor. O bom jogador de Bolsa, ou de qualquer outro jogo, sabe o momento de entrar e de sair, e mesmo assim está sujeito a perder; mas ele sabe que só pode jogar um “x” se puder perder esse “x”. Não pode jogar o dinheiro da comida, pensando que ele pode ser quintuplicado. Se fizer isso, com certeza, vai perdê-lo! Não mexa com o dinheiro da feira! Aplique uma quantia de dinheiro que você pode perder. Vamos repetir aqui o velho chavão: não coloque todos os ovos em uma única cesta; reparta-os em diferentes balaios.

SER: Por que, muitas vezes, um buscador, que está fazendo um trabalho interior competente, não consegue levar para o campo material seus ganhos espirituais?

LAURO: Por incompetência! O Paulo está sempre ensinando a vocês algumas leis gerais, como, por exemplo, as que regem a concorrência. Vocês têm de entender as leis, os princípios que regem o mundo material. As pessoas interpretam mal as idéias do trabalho chamado interior. Se você pensa: “Ah, eu sou um buscador, por isso não posso perder muito tempo ganhando dinheiro. Acho que vou dedicar ao dinheiro uma única hora do meu dia”, você está errado. Não! A resposta para a sua pergunta é essa: incompetência! Temos de deixar extravasar para a vida as idéias do trabalho interior, porque elas são mais amplas que a própria vida. Devemos utilizá-las na vida! Se as pessoas adquirem maior energia no trabalho interior e saem gastando sua energia por aí, loucamente, com bebida, por exemplo, ou falando muito, estão imitando a pessoa que ganhou na loteria e gastou tudo na farra. Logo, logo ela estará na miséria novamente.

SER: Por que nossa Escola não forma grupos interessados em trabalhar a questão do dinheiro?

LAURO: Na verdade, hoje, dentro do nosso Grupo, há várias pessoas compreendendo muito bem a arte de ganhar dinheiro, e aplicando-a na vida. Há pessoas ganhando muito bem! Algumas estão se tornando milionárias. Outras aprenderam a lidar com o dinheiro de forma diferente e ficaram ricas.

SER: Tenho visto aqui, no Grupo, alguns clássicos pobretões conseguindo se organizar com um quase nada de modo inteligente.

LAURO: Uma coisa deve ficar clara aqui: se o seu destino é ganhar um “x” não muito grande, você tem de saber administrar essa quantia. Você não pode viver sempre no vermelho, como se tivesse um bicho mordendo constantemente sua perna. Isso não é bom, porque você fica sem tempo e sem espaço para gozar a vida, para ter prazer nela. A vida tem de ser vivida com prazer, amor e dinheiro! O dinheiro é um deus. Aliás, ele é o deus do nosso mundo! Não falamos disso ainda, mas este ponto é muito importante: o dinheiro é o deus do nosso mundo, é o “bezerro de ouro” da atualidade! As pessoas adoram o dinheiro! Nosso planeta é dominado pelo deus dinheiro! A Mère do Sri Aurobindo dizia que é uma pena o dinheiro estar sempre servindo a objetivos escusos e nunca ao desenvolvimento interior. Então, pelo fato de ele ser a força motriz do mundo, não podemos dar-lhe as costas; caso contrário, seremos atropelados por nossas necessidades.

SER: Se tomarmos o corpo humano como referência, em que parte está situada a região da riqueza?

LAURO: No final da coluna vertebral, onde se localiza o chacra Muladhara. Aí reside o mundo das riquezas. Isso porque nossa força vital vem dessa região.

SER: Lauro, muito obrigada por nos ter feito compreender melhor a questão do dinheiro.

LAURO: Nosso trabalho aqui no Grupo é um trabalho de compreensão, de inteligência. Temos de compreender bem cada assunto em torno do qual gira nossa vida, para que ela seja mais feliz! Não podemos esquecer o famoso “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Temos de pagar um pedágio para viver neste mundo, mas devemos pagar apenas o montante justo. O importante, em todas as questões, é buscar o ponto de equilíbrio.

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Um dólar. (Banco de Imagens)

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Tradicionalmente, o dedo indicador é associado com Júpiter e o polegar com Vênus. Não por acaso, ambos estão relacionados com atrair a boa fortuna, pois simbolizam o casamento do masculino com o feminino, do céu com a terra.

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Um mental lúcido, com sua visão de águia, mantém sob controle o aspecto serpentino do dinheiro. Aldrovandi.

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Mercúrio, deus da mitologia romana (correspondente a Hermes na mitologia grega), é o senhor do dinheiro, regendo a comunicação, a circulação, o comércio. Roma.

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Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Bíblia (Novo Testamento). “Retrato de um desconhecido”. Botticelli.

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O dinheiro, em si mesmo, não é bom nem mau. Nós podemos nos relacionar com ele de uma forma divina ou demoníaca: na primeira, ele está a nosso serviço; na segunda, nós somos seus escravos. “Alegoria da Calúnia”. Botticelli.

TEXTOS TRADICIONAIS

A REPETIÇÃO DO NOME DIVINO....Voltar para o Índice

Se colocar madeira molhada sobre um braseiro, ela perderá, pouco a pouco, a sua umidade. Da mesma forma, o espírito de frivolidade acaba ressecando-se no homem que repete o santo Nome de Deus e que encontra Nele seu refúgio. Quem diz a si mesmo que pensará em Deus apenas quando o seu apego às coisas terrestres tiver terminado jamais será capaz de fazê-lo, pois esse momento nunca chegará.

Conscientemente ou não, em qualquer estado em que nos encontremos, se invocarmos o Nome de Deus, nos beneficiaremos do mérito dessa invocação. O homem que vai voluntariamente banhar-se em um rio, o que é obrigado a fazê-lo e o que é borrifado com água durante o sono - os três adquirem o benefício do banho.

A um instrutor religioso, que entendia ser o Nome de Deus suficiente para conduzir à Realização divina, o Mestre respondeu: “Sim, sem dúvida, repetir o santo Nome é muito eficaz, mas seria suficiente fazê-lo sem Amor? A alma deve ter sede de Deus. De que me adianta repetir o Seu Nome se permito ao meu espírito fixar-se na ‘mulher e no ouro’?”

O homem torna-se imortal quando cai em uma tina de néctar, não importando o modo como ele cai. O que nela tomba após várias práticas religiosas torna-se imortal da mesma forma que o que foi para ela empurrado. Consciente ou inconscientemente, ou até mesmo por engano, se pronunciar o Nome do Senhor, obterá o mérito dessas palavras.

Quando cremos no poder do santo Nome de Deus e nos sentimos dispostos a repeti-lo constantemente, não há necessidade de discernimento, nem de exercícios piedosos de nenhum tipo. Todas as dúvidas são aplacadas, o espírito torna-se puro e o próprio Deus é realizado pelo poder de Seu santo Nome.

O SER ANÍMICO....Voltar para o Índice

A Mãe

Doce Mãe, qual é o papel da alma?

Sem alma, não existiríamos! A alma é o que sai do Divino sem jamais deixá-Lo, e retorna ao Divino sem deixar de ser manifestada. A alma é o Divino feito indivíduo sem deixar de ser Divino. Na alma, o indivíduo e o Divino são eternamente um; portanto, encontrar sua alma é encontrar Deus; identificar-se com ela é unir-se ao Divino. Pode-se, pois, dizer que o papel da alma é fazer do homem um ser verdadeiro.

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“Nada é mais sublime do que conhecer todas as coisas”. Conrad Celtis. Imagem de Sophia, de A. Kircher, Ars magna sciendi, Amsterdam, 1669.

O GUIA QUE ORGANIZA A VIDA....Voltar para o Índice

A Mãe

O anímico tem um poder?

Um poder? É geralmente o anímico que dirige o ser. Nada se sabe sobre isso, porque não se é consciente dele, mas é ele, em geral, que dirige o ser. Se ficarmos muito atentos, perceberemos isso. Mas a maioria das pessoas não o nota. Por exemplo, quando decidem, em sua ignorância exterior, fazer certa coisa e não o conseguem, mas vêem que todas as circunstâncias se organizam para que façam outra coisa, elas começam a gritar, a esbravejar, a se encolerizar contra o destino, a dizer, dependendo de sua crença, que a Natureza é má, que seu destino é funesto, Deus é injusto, ou não importa o quê. No entanto, na maior parte das vezes, era justamente essa a circunstância mais favorável para seu desenvolvimento interior.

Naturalmente, se você pedir ao anímico para ajudá-lo a tornar a sua vida agradável, a ganhar dinheiro, a ter filhos que serão a honra da família, etc., bem, ele não o ajudará! Mas produzirá todas as circunstâncias necessárias para que algo desperte em você e a necessidade de união com o Divino nasça em sua consciência. Pode ser que, algumas vezes, você tenha feito belos projetos que, se tivessem sido bem-sucedidos, o prenderiam cada vez mais dentro da crosta de sua ignorância, de sua pequena ambição imbecil e de sua atividade sem objetivo. Enquanto que, se receber um bom choque e o posto que cobiçar lhe for recusado, se o projeto que fizer for destruído e você ficar totalmente contrariado por causa disso, então, pode ser que essa contrariedade lhe abra uma porta para algo mais verdadeiro e profundo. E quando você tiver despertado um pouco e olhar para trás, se for minimamente sincero, dirá: “Ah! Não era eu quem tinha razão – era a Natureza, ou a Graça Divina, ou meu ser anímico, que fez tudo isso”. Foi o ser anímico que organizou tudo.

Se seu ser anímico estiver suficientemente acordado para velar por você e preparar seu caminho, ele poderá atrair situações que o ajudarão. Poderá, por exemplo, atrair encontros, livros, circunstâncias e todo tipo de pequenas coincidências, que virão a você como se tivessem sido trazidas por uma vontade benevolente. Essas coisas lhe darão uma indicação, uma ajuda, um apoio para tomar decisões que o orientarão na boa direção. E uma vez decidido que encontrará a verdade de seu ser e que avançará seriamente no caminho, então tudo parecerá ligar-se no intuito de ajudá-lo a avançar.

TUDO ACONTECE PARA O MELHOR....Voltar para o Índice

Swami Prasnanpad

Você deve lembrar-se de que tudo o que acontece, acontece para o melhor. Há uma distribuição divina das coisas. Sua vida estaria empobrecida sem todas as coisas que lhe ocorreram. Por isso, tudo deve ser aceito, o bom e o mau. De fato, você não tem escolha: se desejar o bom, terá o mau também. Todas as situações têm dois aspectos. Se quiser o lado ‘cara’ de uma moeda, deve ficar também com a face ‘coroa’. É inútil esperar apenas o prazer. O prazer e a dor estão sempre juntos. É preciso ficar com os dois, ou com nenhum deles. Quando ocorre algo, antes de tudo, receba-o. Esta é a verdade. Aconteceu. Você pode recusá-lo e dizer que não se passou? Não. Depois de ter chorado e se lamentado, vai aceitá-lo de qualquer modo. Por que, então, não o acolher desde o princípio? Diga sim a tudo. Quando você aceita um acontecimento de boa vontade, não há sofrimento.

O medo deve ser banido de sua vida.

O temor de que algo sobrevenha é pior do que o fato em si. Os medrosos, muitas vezes, morrem antes da hora. O medo deve ser suprimido de sua vida, porque é irracional e bloqueia a ação.

“Olhamos para a frente e para trás e nos enfraquecemos por causa daquilo que não existe.” (Shelley)

O hábito pernicioso de pensar no futuro e no passado deve ser rompido. Não é preciso tolerar que o passado o domine, nem que o reflexo do futuro influencie o presente, a realidade. Você só pode viver no presente quando o passado e o futuro forem eliminados. Apenas o presente é real, passado e futuro são meras ilusões. Viver no presente significa aceitar tudo o que vem. Em vez de rejeitar a realidade, de qualificá-la como boa ou má, agradável ou desagradável, experimente tudo o que lhe chega, porque tudo isso é vida. Não fuja da vida.

Quando dizemos que algo é bom ou mau para a pureza interior, não estamos vendo as coisas como são. Não há bem nem mal no objeto em si. Quando se toma muita quantidade de alguma bebida alcoólica, diz-se que o álcool faz mal, mas o caráter de ‘mau’ reside em nós mesmos e não no álcool.

Você está em uma gaiola de vidro que chama de fortaleza. Como pode haver limite para o estado de Brahmachari*? Tudo o que jogar no fogo será consumido por ele. Da mesma forma, se houver um estado de Brahmachari dentro de você, tudo que entrar em contato com ele será transformado. Devemos reinar sobre tudo o que nos diz respeito. O verdadeiro monge (sannyasi) é mestre de si mesmo em qualquer circunstância. Vestirá a seda mais cara com a mesma tranqüilidade com que usa roupas rasgadas; servir-se-á de um alimento principesco ou de uma sopa caseira com a mesma satisfação. Mas ele é moderado, come de acordo com suas necessidades. Não dormirá demais se estiver deitado em um colchão macio. Não é escravo de nada e pode, de uma forma ou de outra, adaptar-se fácil e alegremente a qualquer situação.

Se um pedaço de gengibre pode perturbar o seu estado de Brahmachari, então, de que vale esse estado?

*O estado de Brahmachari é o estado de quem vive na não-identificação. (N.T.)

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Para o homem ignorante, as dificuldades da vida são infernais; para o sábio, são alavancas de crescimento interior. Ilustração da tradição Zen. Japão.

ARTIGOS

Nem só de pão vive o homem....Voltar para o Índice

José Neto

Como de costume, em mais uma corrida de táxi por São Paulo, eu puxava conversa com o motorista. Era janeiro, e a conversa girava sobre os inúmeros pagamentos do início do ano, quando o taxista exclamou:

- Todos os meus amigos dizem que sou louco!

- Por quê? - perguntei.

- Nesta época do ano, todos estão desesperados por causa dos pagamentos do IPVA, da renovação do alvará, do material escolar das crianças, mas eu estou tranqüilo.

- E por que você está tranqüilo, você também não tem de pagar todas essas coisas?

- Tenho, sim, mas, durante o ano passado, economizei um pouquinho todo mês e tenho dinheiro reservado para todas essas contas. Lá em casa é sempre assim, todo mês ponho um trocado na poupança!

Sorrindo, exclamei:

- Você deveria ser nosso Ministro da Fazenda!

Enquanto os colegas de profissão reclamam, nosso amigo taxista demonstra uma sábia simplicidade. E qual é o segredo dele? Ele sabe que precisa tomar certas providências agora, para, no futuro, poder pagar as contas. Mesmo pressionado pelas mil necessidades do momento, ele mantém sua decisão e poupa o dinheiro para quando for necessário.

Sabemos como isso é difícil. Quantos regimes iniciados na segunda-feira não duram até quarta! Qualquer chateação e já os esquecemos. Decidimos parar de fumar e, em um dia de frio intenso, nos vemos novamente de cigarro na mão. Tomamos a resolução de guardar dinheiro para comprar algo, mas não resistimos a uma vitrine de loja de shopping!

Mas nosso amigo taxista sabe o que tem de fazer e não se deixa desviar por nada. Sabe que o fim do ano vai chegar e, com ele, as despesas a enfrentar. Não adianta fingir que nossas ações de hoje não têm relação com o futuro. Mas nós nos deixamos levar por tudo que acontece ao nosso redor e não conseguimos manter nossas decisões. Deixamos tudo para depois e, nem sempre, o que podemos fazer hoje pode ser feito amanhã. É a famosa “doença do amanhã”, que Gurdjieff aponta como um dos mais graves problemas humanos. Estamos sempre nos enganando, adiando o que precisamos fazer.

Deveríamos exercitar um pensar lúcido e nossa vontade, senão seremos sempre levados pelas forças do momento e não conseguiremos sustentar nenhuma decisão tomada. Por exemplo, mesmo que tudo esteja bem, basta um olhar atravessado para nos abalar e estragar nosso dia. Fica então a questão: como cumprir aquilo a que nos propomos?

Para despertar seus alunos para esse tema, Gurdjieff, com sua fina ironia, provocava-os utilizando-se de um personagem muito intrigante: o “Sr. Solitária”. Esse personagem lhe era muito querido. Ele o usava para falar das forças de sobrevivência e de como elas comandam a vida de todos nós. Dizia: “O Sr. Solitária sempre responde pelo presente. O homem que usa a mente sempre responde pelo futuro; precisa ver como vai ser, não o que é.”1

A solitária é um verme (Taenia solium ou Taenia saginata) que contamina o ser humano se alojando nos intestinos e absorvendo tudo que o homem come. Assim, Gurdjieff compara nosso sistema digestivo a uma solitária, a um parasita dentro de nós. Nada resiste a esse mundo localizado em nosso ventre, que tem de ser alimentado todos os dias. E ele tem outros amigos: desejos de todos os tipos, abalos emocionais e idéias malucas, que nos assolam cotidianamente. Essa pressão é nosso senhor. Por isso, Gurdjieff dizia que o Sr. Solitária era nosso rei. Temos grande dificuldade em perceber como essa força nos comanda. Ela é tão soberana que passa despercebida. Tente analisar bem suas ações, suas idéias e emoções. Pergunte-se por que fez tal coisa ou teve tal atitude. Quem sabe você comece a percebê-la? Uma coisa é certa: nossas maravilhosas idéias altruístas, filantrópicas e ecológicas não sobrevivem se ficarmos sem almoçar durante o dia.

Gurdjieff provocava mais uma vez os alunos com o Sr. Solitária: “Você é um egoísta. Fale com a cabeça erguida, não fale pelo Sr. Solitária. Ele está em sua presença, você não deve ter raiva, você deve ser indulgente com ele. Quem for carinhoso com o Sr. Solitária, quem satisfizer o Sr. Solitária, o Sr. Solitária o ajudará a conseguir o que deseja.”2

Aqui temos uma pista de como agir. Não adianta fugir ou se revoltar contra essa realidade. Precisamos cuidar do nosso corpo, ou seja, comer, beber, respirar e relacionar-nos com outras pessoas. Não há nada de errado com isso! O problema aparece quando vivemos só em função do prato de feijão de cada dia. Viver assim é ser como um verme, uma solitária.

Portanto, nosso primeiro passo deve ser enxergar essa força e seu poder sobre nós. Devemos respeitá-la e atuar com lucidez, entendendo as regras do jogo. E desenvolver nossa vontade, ficando sempre alertas, pois qualquer descuido nosso e, pronto, tudo que planejamos é esquecido. Se formos atentos, veremos que é ela que nos desvia do regime, seduzindo-nos com um doce, ou sussurrando-nos ao ouvido que um cigarrinho a mais não faz diferença...

Mas, infelizmente, o problema não acaba aqui! A confusão mental e a falta de vontade minam nossa energia, pois a gastamos toda tentando resolver os problemas do dia-a-dia. Lidar competentemente com as situações da vida é requisito para ser ajudado. Eis aí o sentido de “o Sr. Solitária o ajudará a conseguir o que deseja”. Mas o que é que desejamos?

Bem, todos reconhecemos momentos em que sentimos um buraco no peito, um sentimento de falta que não sabemos explicar. Mesmo quando tudo vai bem, essa sensação de vazio permanece. Gurdjieff nos alerta que ”o caminho começa num outro nível, muito superior a nossa vida”3 . Se eu reconhecer e satisfizer essas forças da vida, criarei um alicerce para receber ajuda em relação à angústia que não me larga nunca. Não fugir da vida e ter a sabedoria de lidar com suas situações deveria ser a base para meu desenvolvimento espiritual. Assim me candidato a trilhar o caminho para me tornar um ser humano harmônico.

Por isso é dito nos Evangelhos: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. Já é difícil ser competente na vida, ou seja, “dar a César o que é de César”. Mas para tornar-se um ser humano completo ainda falta “dar a Deus o que é de Deus”.

Mas o que Deus quer? Como realizar isso? Segundo as tradições, o objetivo de nossa estadia na Terra seria fazer nosso Espírito vivenciar o plano físico, para desenvolver-se e retornar ao Criador. Pois “nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”! O equívoco, o pecado original é ficar entretido com o corpo, com o pão de cada dia, permitindo ao Espírito esquecer-se de ouvir a palavra de Deus, ou seja, retornar à sua verdadeira origem, voltar para Ele. Nosso corpo não é um vilão; pelo contrário, como escreve São Paulo, “o corpo é o Templo de Deus”. É respeitando e utilizando todas as suas possibilidades que o Espírito pode crescer.

Confuso, transformo, sem perceber, minha sobrevivência no principal objetivo de minha vida. Na verdade, nem “o que é de César” é dado. Poucos, como o nosso amigo taxista, fazem-no com competência.

Quanto ao “que é de Deus”, bem, se formos sinceros, pouco ou quase nada Lhe damos. Os problemas do dia-a-dia esgotam toda a nossa energia e olvidamos que somos uma fagulha divina, uma emanação do Criador. Aqui reencontramos o significado profundo da famosa frase da Esfinge grega: “Decifra-me ou devoro-te”. Nossa energia é devorada por essas forças, pois não as percebemos nem compreendemos. Nosso tempo aqui na Terra deveria ser usado para viver todas as maravilhas deste plano e utilizá-las para nosso Espírito aprender e evoluir. Somos criados e enviados por Deus e é para Ele que devemos voltar, enriquecidos de experiências. “Dar a Deus o que é de Deus” é nos fundirmos de novo com Ele.

1. Ladies of the Rope, pág. 125.

2. Ibid., pág. 125.

3. Fragmentos de um Ensinamento Desconhecido, pág. 230.

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As forças da vida são representadas no centro da Roda, devido a sua importância, pelo porco (ignorância), a serpente (medo) e o galo (sexo). Elas formam um círculo de onde é muito difícil escapar. “Roda da Vida”. (tradição budista)

ARTIGOS

O real significado da inveja....Voltar para o Índice

Luiz Domingues

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Na rica simbologia de São Jorge, o protetor contra a inveja e o mau olhado, a inveja é uma das faces do dragão que devemos transmutar. São Jorge e o Dragão (tradição cristã)

“Não há amizades, parentesco, qualidades nem grandezas que possam enfrentar o rigor da inveja.” (Miguel de Cervantes)

O significado etimológico da palavra ‘inveja’ vem do substantivo latino invidia, que significa olhar com malícia, de soslaio. Ela é uma emoção comum a todas as pessoas e sua base é o conflito entre o ego e a felicidade alheia.

Mas como é seu movimento dentro do coração humano?

Se formos atentos, veremos que, no momento inicial da inveja, surge um clarão de admiração pelo que o outro é ou possui. Em seguida, o movimento do ego se manifesta: por que ele tem e eu não? E assim, começamos a questionar insistentemente a justiça da situação, em busca de uma explicação para o sucesso do outro.

Se não nos detivermos, o processo se inflama, pois o ego, cujo pilar é a superioridade para sobreviver, vê-se ameaçado. O amargor começa a nos envolver e, às vezes, agimos movidos por sua força, destruindo um bem real... Amizades se perdem, negócios fracassam, etc. Preferimos destruir a aceitar o fato de que o mundo é maior e tem mais possibilidades que o reino do nosso ego.

O mais incrível é que a inveja pode agir em nós sem que a percebamos, pois, muitas vezes, ela atua de modo subterrâneo, apenas no subconsciente. No trabalho, você fica sabendo que um colega vai ser promovido e receberá um significativo aumento de salário. Em casa, você assiste na televisão às imagens de uma linda mulher ou os preparativos para a festa do ano. Você sai à rua e vê uma Mercedes nova passando ou um casal apaixonado sorrindo - e você está sem um grande amor há muito tempo... Você diz que não sente inveja, mas, talvez, se observar o íntimo de seu coração, verá que algo acontece.

Na verdade, tememos a inveja, pois a religião e a filosofia sempre a colocaram como uma coisa má a ser evitada. Algo de que devemos ter vergonha. Mas por que não nos concentrar na natureza do seu impulso original, ao invés de em suas conseqüências?

Se tentarmos observar o que é esse impulso, sem estar maculado pela confusão atual do ser humano, veremos que ele deveria ter três movimentos: admirar, desejar e esforçar-se por ser. Isto é, na sua pureza, esse impulso deveria ser fonte de progresso. Ao chegar, porém, ao coração humano, cheio de mágoas e desejos, ele decai para sua forma banal, tornando-se fonte de conflito.

Por exemplo, vejo uma pessoa bem-sucedida, enquanto eu vivo com problemas financeiros. Deveria usá-la como fonte de inspiração para analisar quais foram os seus acertos, quais são as minhas dificuldades e os objetivos que posso alcançar. Deveria usá-la para fazer aflorar em mim o sentimento de Eu Sou, Eu Posso, Eu Posso Ser.

Assim, a inveja deveria nos dar o vislumbre de uma meta e a força para conquistá-la. Veja, não é que precisemos ser como a pessoa, ou ter o que ela tem, mas despertaríamos para novos horizontes. A admiração, porém, decai em preconceitos e planos de destruição, e a força, na fúria que se levanta contra o outro.

Como restaurar o sentido original do impulso da inveja?

O segredo está na palavra impulso. Um impulso é algo que nos lança. Assim, quando percebermos o surgimento da inveja em nós, não deveríamos atuar através da mente, sede do ego. Deveríamos usar esse impulso como fator de lembrança da nossa Alma, do Eu sou. Deveríamos realizar a verdadeira Yoga, isto é, a ligação com Deus.

É no Silêncio do interior de nosso ser que podemos ouvir a voz que sussurra em nosso coração, mas que não escutamos por estarmos apaixonados pela agitação da vida. Se, no momento da inveja, fizermos um recuo para esse templo interior, observaremos o que ela nos apresenta: ver novas possibilidades, enxergar nossas frustrações, desmistificar verdades sobre nós.

O problema é que esse momento de recolhimento dói e não queremos sofrer. É mais fácil entregar-se à prazerosa fúria ou à indiferença.

Aqui chegamos a um ponto crucial, pois o mecanismo da inveja é o mesmo de todas as nossas emoções negativas, como a vaidade, o ciúme, a tristeza, etc.

O mundo nos inunda de impressões através dos órgãos dos sentidos e quando tudo isso chega ao coração, tingido por nossos conceitos e mágoas, nascem as emoções negativas. Libertar-se desse processo é compreender o que a vida nos quer mostrar. A vida é um espelho que reflete nosso ser. Mas para enxergar, é preciso suportar ver todo o mundo de contradições que existe em nós.

Assim, a transformação da inveja e das outras emoções negativas está em colocar-se em conexão com a Alma, com o Eu Sou. É claro que a observação e o esforço de autocontrole são importantes, mas a real transformação ocorre apenas pela ação da Graça Divina. Só ela pode nos dar o bálsamo que acalma o coração e permite a atitude justa. Então as mágoas e inquietações se dissolvem e encontramos a felicidade de Ser, a pura felicidade que não depende dos fatores externos.

Toda noite, a Natureza nos ensina como fazer isso. Por exemplo, você está triste ou cheio de ciúme, seu coração sofre e você não vê mais sentido nas coisas. Então você adormece, e, quis o destino que o sono fosse profundo. Ao acordar, no primeiro instante, você não se lembra de nada do dia anterior. Você é alegria e pureza. Mas, um segundo depois, as lembranças voltam e o ego retoma o comando, utilizando-se de toda essa qualidade para inflamar ainda mais o ciúme ou tristeza de ontem.

Mergulhar na Alma é realizar conscientemente esse encontro com a profundidade a que o sono profundo nos leva. A dificuldade de realizar essa conexão talvez fique mais clara nos comentários que Sri Aurobindo faz sobre a atitude para não ser arrastado pela ação dos sentidos:

“Isso não pode ser feito com perfeição por uma ação da própria inteligência, por mera autodisciplina mental; isso pode ser feito através da Yoga com algo superior a ela e ao qual a calma e o autodomínio são inerentes.

E essa Yoga só pode alcançar o sucesso pela devoção, pela consagração, pelo abandono por inteiro ao Divino, ‘para Mim’, diz Krishna; porque o Libertador está dentro de nós, mas não é nossa mente, nem nossa inteligência, nem nossa vontade pessoal - elas são apenas instrumentos” 1

1. Bhagavad Gita and its Message. Sri Aurobindo.

ARTIGOS

E o homem criou o computador....Voltar para o Índice

Maurício da Costa Melo

Edvane Fanni Enrique

Beatriz E. Guiselini

Sônia Maria Correia

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“Não existiu nenhuma forma nem nenhum mundo antes da forma humana estar presente. Porque ela abarca todas as coisas, e tudo o que existe só existe através dela.” Zohar. Ilustração de W. Blake, The Sun at its Eastern Gate, ca. 1815

“E disse Deus: Façamos o homem a nossa imagem, conforme a nossa semelhança...” (Gênesis 1, 26)

Como não poderia deixar de ser, o homem “criou” o computador inspirado, conscientemente ou não, nos padrões adotados pelo Único Criador Universal.

Ao idealizar um instrumento para servi-lo, criou o computador constituído por uma estrutura física visível, o hardware; uma estrutura invisível que o comanda, o software; e fez de si próprio o mestre desse conjunto, no papel de usuário.

Ao fazer isso, o homem produziu uma analogia com a obra do Pai Criador que, ao criar o ser humano, o fez na forma de uma tríade hierárquica constituída por uma estrutura física visível, o corpo físico propriamente dito; uma estrutura funcional invisível, o corpo vital ou corpo de sensações; e uma consciência, que usa essa estrutura para manifestar-se neste sistema planetário.

Objetivo do Projeto

Dar ao usuário acesso a um novo mundo digital no qual sua inteligência criativa possa contar com ferramentas poderosas para manifestar-se.

Metodologia do Projeto

O projeto do computador foi realizado segundo o modelo “top-down”, ou seja, de cima para baixo. A partir da necessidade de fornecer ao usuário ferramentas adequadas para uso de sua inteligência, concebeu-se uma estrutura funcional – o software – e uma estrutura física que a suportasse – o hardware.

Arquitetura do Projeto

Ainda inspirando-se em suas observações do Universo, o homem concebeu sua máquina como uma estrutura hierárquica de partes que, ao interagirem, proporcionam a sensação de um todo orgânico.

De fato, quando olhamos para o computador, ou para uma pessoa, temos a idéia de uma unidade, representada somente pela parte física visível, o hardware. Tanto em um caso quanto no outro, não percebemos que ambos são constituídos por diversas “camadas” e que as camadas mais sutis são mais importantes que as densas.

Os insumos utilizados

Assim como no caso do homem, o sistema-computador é composto de “insumos” de diferentes origens. O hardware é formado por elementos físicos do planeta Terra, como silício, ouro, polímeros, etc. Já o software é formado por substâncias de um nível mais sutil, por elementos não físicos. O software é um conjunto de instruções que, para tomar corpo e operar sobre o hardware, é “materializado” sob a forma de impressões magnéticas gravadas no disco ou na memória do computador. O terceiro elemento, o usuário ou a sua inteligência, é de um nível ainda mais alto.

A natureza das partes

Usando outro tipo de linguagem, é possível dizer que o hardware é a essência do computador, o que lhe é inato ou congênito, pois “nasce” com ele, ao passo que o software é adquirido e pode ser substituído.

Quando se olha para um computador, o software não é perceptível da mesma forma como o hardware o é. Analogamente, quando se olha para uma pessoa, o que se enxerga é somente seu corpo físico e não o complexo energético e funcional que o suporta. Eventualmente, pode-se inferir sobre o estado emocional ou sobre os pensamentos de uma pessoa através de suas expressões verbais, faciais ou corpóreas. Da mesma forma que, quando se olha para o computador, pode-se ter uma idéia dos softwares que estão em atividade no momento, mas não se pode vê-los, pois eles são de outra materialidade. É como se fossem de outro “mundo”; um mundo mais etéreo que o mundo físico do hardware.

Autonomia e interferência entre os componentes

Ao cabo de muitas tentativas, o homem chegou à conclusão de que a melhor forma de projetar sistemas complexos, como seu computador, é aglutinar funcionalidades afins em grandes “centros funcionais”, de forma que cada um tenha com os demais certa autonomia e que as comunicações entre eles se façam por meio de interfaces bem estabelecidas e seguras. Essa diretriz de projeto tende a criar sistemas mais robustos e tolerantes a falhas, pois faz com que cada centro se comporte como uma caixa-preta, que provê um conjunto de funcionalidades e que interage de forma orgânica com os demais centros. Isto é importante para isolar o funcionamento interno e os problemas de cada centro, garantindo que o mau funcionamento de um deles não interfira na operação de outro. No projeto do ser humano também se pode constatar a existência de centros mais ou menos autônomos, responsáveis por macrofunções como: pensar, sentir, agir, etc. No homem-máquina, desafortunadamente, os centros acabam interferindo uns nos outros pela ausência de uma consciência que os supervisione. No computador, essa supervisão é realizada pela CPU, submissa aos comandos do usuário.

Principais componentes do hardware

O projeto do hardware também seguiu os mesmos princípios: criar um conjunto de partes mais ou menos independentes, em que cada uma desempenhe um papel específico e interaja com as demais, segundo critérios bem definidos de interface. Os principais componentes do hardware são: CPU, análoga ao cérebro; periféricos, análogos aos órgãos dos sentidos; memória e disco magnético, análogos à memória de curta e longa duração; e placa-mãe, análoga ao sistema nervoso periférico ou à coluna vertebral.

O processador central

A CPU (do inglês “Central Process Unit” - Unidade Processadora Central) é o cérebro do computador. É nela que ocorrem todos os processos que nos fazem pensar nele como uma máquina inteligente. Na verdade, ele é tão inteligente quanto o nosso cérebro. Ambos não detêm inteligência alguma, possuem apenas uma grande capacidade de comparar, processar, analisar, visualizar, etc. A inteligência propriamente dita pertence somente ao usuário do computador. No ser humano, a inteligência é de um nível mais alto e apenas se utiliza do cérebro, da mesma maneira que o usuário se utiliza do conjunto hardware/software.

Assim como o cérebro, a CPU possui uma capacidade adicional, de estar “alerta” ou disponível para atender aos estímulos ou impressões que chegam através de seus periféricos. Esse estado de prontidão também é capaz de priorizar e atender aos estímulos segundo sua importância.

O processamento paralelo

Da mesma forma que o sistema nervoso, a CPU é capaz de realizar várias atividades ao mesmo tempo. Em computação, isso é chamado de processamento paralelo. Em alguns computadores mais sofisticados, existe mais de um processador com o intuito de aumentar essa capacidade de processamento paralelo. Algo parecido com os vários cérebros ou centros do ser humano.

Vejamos um exemplo: uma pessoa fala ao telefone enquanto dirige o carro. No momento em que um pedestre passa, abruptamente, à sua frente, ela é capaz de interromper a conversa e evitar a colisão. Se ela fosse um computador, a mesma cena poderia ser descrita assim: o computador processa dois programas simultaneamente; o primeiro, responsável pela interface de voz, age com prioridade mais alta, enquanto o segundo, responsável pela habilidade de dirigir, é processado como pano de fundo, com prioridade mais baixa. Em dado momento, a CPU é interrompida por um estímulo de maior urgência. Nesse instante, o programa de dirigir ganha status de prioritário e o computador é capaz de evitar a colisão.

Na verdade, o processamento paralelo no ser humano é muito mais abrangente. O mesmo esquema de garantir autonomia funcional para cada parte é replicado, em uma hierarquia descendente a partir de cada grande sistema, cada órgão, cada tecido, até chegar ao nível celular, onde existe praticamente uma réplica do funcionamento do organismo como um todo.

Órgãos dos sentidos e habilidades

Todo computador é dotado de um conjunto de periféricos que lhe permite interagir com o meio ambiente. No ser humano, a capacidade de interagir com seu ambiente é dada pelo conjunto de órgãos dos sentidos, mais a capacidade de movimentação, que o computador não tem, mas que um robô teria.

Exemplos de periféricos são: câmera de vídeo e scanner (olho), alto-falante (fala), microfone (ouvido), monitor (expressão facial, gestos, etc.) e o teclado e o mouse (interfaces sensíveis ao toque, portanto análogas às sensações tácteis).

O funcionamento dos periféricos

Assim como no ser humano, a possibilidade de visão do computador depende de uma combinação coordenada de hardware e software. No computador, a câmera capta uma imagem e a transforma em um impulso elétrico, que é enviado à CPU para ser processado. No homem, o olho capta uma imagem e também a transforma em um impulso eletromagnético, que é enviado ao cérebro. Nos dois casos, esses eventos ocorrem no plano físico: hardware do computador, ou corpo físico do ser humano. Em seguida, entra em ação o plano mais etéreo, responsável por processar e interpretar as impressões recebidas. No computador, esse plano é representado pelo software. No ser humano, pelo corpo funcional e seus centros: mental, motor e instintivo.

A interpretação dessas impressões no computador é feita por softwares de reconhecimento de padrões que trabalham de uma forma muito parecida com o que acontece no cérebro humano. Sua primeira função é reconhecer, nas imagens, padrões já vistos anteriormente. Após comparações minuciosas, esses programas decidem, segundo margens de erro prefixadas, se a imagem confere ou não com padrões conhecidos. É dessa forma que o ser humano reconhece pessoas, lugares, objetos, etc. Da mesma forma, o computador autentica pessoas por impressões digitais, face, voz, etc. Já existem programas, baseados nesses algoritmos de reconhecimento de padrões, que obedecem a comandos de voz ou a gestos corpóreos do usuário, captando-lhe a mímica.

A placa-mãe

No computador, a placa-mãe é uma superfície que permite ligar os diversos dispositivos por meio de conexões elétricas. Nela são conectadas: CPU, placas de periféricos (placa de som, vídeo, etc.), unidades de disco, pentes de memória, etc.

Pode-se dizer que a placa-mãe corresponderia à coluna vertebral e ao sistema nervoso periférico no ser humano. É ela que faz a ligação da CPU com seus periféricos; do cérebro com os órgãos dos sentidos e também com os nervos distribuídos por todo o corpo e que transitam pela coluna vertebral. Também no computador é possível dizer que ela funciona como força passiva, em contraponto à CPU, que é a força ativa.

A memória e o disco magnético

Existem dois tipos de memória no computador. Uma é a memória RAM, do Inglês “Random Access Memory” (memória de acesso aleatório ou randômico), que equivale à memória de curto prazo do ser humano. Essa é a memória usada, por exemplo, para guardar o número do telefone enquanto se faz uma discagem. Ela é usada como rascunho, como área de trabalho no computador. Quando ele é desligado, toda a informação nessa área é perdida.

O outro tipo de memória é a permanente, que equivale, no ser humano, à memória de longo prazo, aquela que se utiliza para decorar um número de forma permanente, por exemplo. No computador, essa memória é armazenada no disco magnético e não é perdida quando ele é desligado. O disco armazena toda a história pessoal do computador: seus softwares, seus arquivos de memória, os eventos ocorridos, etc. É o local onde está todo o conteúdo de informações e também todas as habilidades aprendidas pela máquina. De certa forma, o conteúdo do disco magnético é o que determina a personalidade do computador.

A configuração de fábrica

Ao saírem das fábricas, os computadores vêm equipados somente com o hardware e com um software bem básico, chamado de sistema operacional (responsável pelas funções “instintivas” e de sobrevivência). Da mesma forma, quando o bebê nasce, seu hardware, apesar de não totalmente desenvolvido, está basicamente pronto. Tanto o computador quanto o bebê saem da “fábrica” com capacidade de desempenho de suas funções de projeto bastante limitada. É necessário um longo processo de desenvolvimento e incorporação de novos conhecimentos e habilidades – os softwares a serem instalados nas duas máquinas durante todo o ciclo de suas vidas.

O processo de aprendizagem

No computador, o usuário tem de instalar um novo programa para cada habilidade desejada. Se ele quer que o computador “saiba” tocar músicas, deve instalar um programa especialmente desenvolvido para esse fim. Se almeja que o computador acesse a internet, existe outro software para esse fim. Um terceiro pode ser usado para escrever textos e assim por diante.

No caso do ser humano, o processo de desenvolvimento de seus programas se dá pela aprendizagem. É tão abrangente que começa já com o desenvolvimento da capacidade de ver, por exemplo. O bebê não nasce com ela. Nasce apenas com a capacidade de enxergar, ou seja: com um olho funcional, que capta estímulos ópticos, transforma-os em impulsos elétricos e os envia ao cérebro. O bebê demora algum tempo para começar a dar significado aos estímulos visuais detectados pelo cérebro. Esse tempo é necessário para que o cérebro construa um banco de dados de imagens com os respectivos significados. Este processo, feito em etapas sucessivas de sofisticação crescente, inclui: distinção entre luz e sombra, detecção de matizes de luz, percepção de freqüências de cor, detecção de movimentos e assim por diante. Nesse processo de interação entre o que o hardware capta e o que o software interpreta, o bebê vai construindo um banco de conhecimento sobre sua experiência sensorial em seu corpo planetário. Com um pouco mais de tempo, as impressões dos sentidos começam a se associar, produzindo percepções mais complexas. Assim, por exemplo, as impressões vindas dos olhos passam a se combinar com aquelas vindas da movimentação no espaço, com as percepções tácteis, sonoras, etc. e começam a produzir uma “visão” conjunta do mundo.

A fixação em um único plano de existência

Essa avalanche de impressões é de tal monta que, muito rapidamente, o ser humano passa a acreditar que está em contato com um mundo exterior quando, na verdade, o que ocorre é que aquele que presencia, percebe, diretamente, somente o que está chegando, via software, até o eu verdadeiro. Ou seja, ele não está em contato direto com o mundo, mas, simplesmente, com uma estrutura que o põe em contato com o mundo. Dito de outra forma, uma estrutura que permite que impressões captadas do mundo cheguem até sua consciência. Ou seja, o contato desta com o mundo físico se dá somente via esse mundo psíquico-sensorial ou energético.

A formação da personalidade

O processo de aprendizagem segue por toda a vida do computador e do ser humano e acaba lhes conferindo uma característica única. O computador ou o ser humano que, originalmente, possuía um hardware relativamente padronizado, com o processo da educação desenvolve características que lhe são singulares. São exemplos de softwares adquiridos: tudo o que foi apreendido no centro motor (modo de falar, de andar, de gesticular, esportes praticados, hábitos motores...), tudo o que foi incorporado no centro emocional (predileção por determinados tipos de emoção, estado emocional predominante como pano de fundo, emoções comumente evocadas mediante determinado estímulo...), tudo o que foi integrado no centro intelectual (conhecimentos, modo de pensar, idioma falado, conceitos de moral...).

Essa roupagem, no caso do computador, o torna mais adequado para atender às necessidades do usuário. No caso do ser humano, esse invólucro, também conhecido como personalidade, deveria ser um instrumento descartável e mutável, que a consciência usaria para atuar no nível planetário. E aqui o usuário comete um erro fundamental e chama esse conjunto de softwares de “eu”.

Os hábitos

Ainda neste caso, o computador, criado pelo homem, não poderia deixar de incorporar essa característica sua. Hábitos são formas de automatizar a execução de tarefas que não necessitem ser analisadas a cada vez. Dessa forma, o cérebro fica desonerado de pensar, que é sempre mais lento do que simplesmente fazer sem pensar, repetidamente, diante do mesmo problema.

No computador, foram criados os chamados “shortcuts” ou atalhos. Esses atalhos associam um “estímulo” a um software responsável por seu processamento. Por exemplo, quando o usuário clica no ícone de um arquivo que contém uma música, o computador associa esse tipo de arquivo com um programa que toca a música e, automaticamente, aciona o programa para tocá-la. Isso é um atalho, pois o usuário não precisa dizer, a cada vez, que uma música deve ser tocada por determinado programa. Portanto, o atalho associa o estímulo a um software, sem que o usuário precise fazê-lo a cada vez.

Tanto para a máquina humana quanto para o computador, os atalhos são bastante úteis. Mas o grande problema é que eles nem sempre são eficazes. Com o tempo, o usuário esquece que o atalho é somente uma das muitas possibilidades, escolhida repetidas vezes no passado. E segue, no presente, percorrendo sempre a mesma trilha, sem se dar conta de que seu poder de escolha pode ser exercido a cada momento.

Outro grande problema do atalho é que ele acaba sendo usado de forma muito disseminada em toda a máquina. Ela passa a empregar atalhos para tudo. Atalhos de imagens esquemáticas de coisas e pessoas substituem a visão real da coisa ou da pessoa. O ser humano deixa de ver o pôr do sol e se contenta com uma “etiqueta” que diz: “isto é um pôr do sol como tantos que já vi”. E a imagem do sol poente, que poderia tocar a alma daquele que a testemunha, passa a produzir somente a impressão fugaz de um rótulo. De maneira bem abrangente, os atalhos ocupam também o lugar das sensações. As inúmeras sensações de um banho gostoso já não chegam ao usuário do sistema corpo-físico/funcional. E, de maneira ainda mais terrível, os atalhos acabam invadindo a esfera mais nobre do pensamento. O homem-máquina passa a se contentar com conceitos pré-formatados, clichês, chavões, opiniões de outros e acaba por abdicar de um ato que deveria ser sempre fresco e novo, que é o exercício do pensar livre. Com isso, a razão do homem-máquina não se desenvolve e, por fim, ele está preso a um emaranhado inescapável de hábitos.

E mais uma vez, ele começa a chamar esse emaranhado de hábitos de “eu”.

Os múltiplos perfis

Certamente inspirado em si próprio, o criador do computador também o dotou de uma característica bastante versátil, que lhe permite apresentar-se de maneira distinta para cada usuário. É como se ele mostrasse uma faceta de personalidade diferente para cada pessoa com quem interage. Essa característica é muito disseminada em empresas, onde um computador é utilizado por diversos usuários. Cada um vê a mesma máquina de forma diferente, pois ela interage com cada usuário usando um subconjunto diferente de softwares. Esse processo, chamado de personalização, está muito em moda também na internet, onde os sites permitem que o usuário personalize a visão que ele tem do próprio site segundo suas preferências pessoais.

Uma máquina com muitas linguagens

Tomando-se o termo linguagem como “um meio de interação entre as partes constituintes de um sistema qualquer”, pode-se dizer que tanto o sistema computador quanto a máquina humana se utilizam de diversos tipos de linguagem. Existem linguagens internas, destinadas a prover comunicação e controle entre partes do mesmo sistema. Existem também linguagens externas, designadas para permitir a comunicação entre o sistema e o meio exterior.

No sistema-computador, as linguagens internas aumentam em sofisticação à medida que se vai do nível do hardware para o do software. No nível mais baixo do hardware, utiliza-se a linguagem binária (alfabeto de duas letras: 0 e 1), a mais adequada para interagir com os componentes eletrônicos, que usam o 0 para a situação de circuito desligado e o 1 para circuito ligado. No nível do software, já se empregam linguagens mais sofisticadas, como a hexadecimal (alfabeto com 16 letras), que serve de base para linguagens ainda mais elaboradas, as linguagens de programação.

Na máquina humana, ocorre algo parecido. As linguagens internas vão desde o nível muito simples das estruturas de DNA e RNA, no interior das células, até os níveis mais sofisticados dos impulsos eletroquímicos no sistema nervoso e da orquestração hormonal do sistema endócrino. Já no plano do corpo psíquico, são utilizadas linguagens como: sensações, emoções, pensamentos. Tanto em uma máquina como na outra, as linguagens de comunicação com o meio devem atender à natureza das partes envolvidas.

Para que o usuário interaja com o sistema computador, existem linguagens mais adaptadas à sua natureza, conhecidas como linguagens naturais. São elas: digitação no teclado, comandos via mouse, comandos de voz no idioma escolhido, interação visual com imagens, etc.

Da mesma forma, o Único Criador colocou à disposição da natureza trina da alma humana um conjunto de “linguagens”, destinado a comandar seu equipamento psicofísico. Tais linguagens não dispõem de nomes na língua portuguesa, pois o ser humano ordinário não faz idéia de sua existência. Para percebê-las, é preciso a perspectiva muito alta do EU REAL.

Para a manifestação de sua faceta consciência, o Eu Real se vale de uma linguagem que se evidencia no mundo psíquico como capacidade de pensar. Para a manifestação de sua faceta existência ou vida, o Eu Real conta com uma segunda linguagem, que se expressa no mundo psíquico como capacidade de agir e de perceber o mundo. Para a manifestação da faceta bem-aventurança, o Eu Real se serve de uma terceira linguagem, que se traduz no nível psíquico como capacidade de apreciar o mundo por meio do sentimento e da paz.

A relação do usuário com a máquina

As posturas do usuário do computador em relação aos “equipamentos” colocados à sua disposição também refletem muito as posturas do ser humano em relação aos corpos instrumentais concedidos por seu Pai Criador.

É muito comum um usuário de computador se identificar tanto com a realidade virtual de seu mundo computacional, que ele se esquece de sua existência no mundo real. Nada muito diferente do ser humano que, enredado nesse mundo planetário, esquece sua natureza divina e se identifica, acreditando ser o que são apenas seus instrumentos.

E assim o homem criou o computador... Uma máquina formidável, feita a sua imagem e semelhança, que, quando colocada de forma lúcida a serviço de sua consciência, possui enorme potencial de realizações no mundo virtual... mas que, quando usada de maneira inconsciente e identificada, reduz o usuário a mísero espectador de um mundo fantasioso e irreal.

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A máquina é apenas o aspecto exterior do grande mistério da vida do corpo humano. ( Banco de Imagens)

ARTIGOS

O milagre da Rua Augusta....Voltar para o Índice

Carlos Raigorodsky

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O casal atravessa a porta que leva do mundo exterior para o mundo interior. (Tokyo Photo Agency)

Segundo afirma o Sr. Gurdjieff, o milagre é um fenômeno que foge às leis que regem a vida normal.

O conhecido como GRUPO GURDJIEFF, situado há quarenta anos no mesmo local da movimentada Rua Augusta da cidade de São Paulo, no meio do burburinho, da agitação dessa rua comercial, ocupando uma pequena área de uma casa antiga, acima do nível da rua, sobre um barulhento botequim, transformou-se em uma verdadeira Escola Esotérica de Conhecimento, de um nível absolutamente raro, comparável a poucas que surgiram no Ocidente e detectadas pela História como a Academia de Platão, a Escola de Pitágoras e outras.

Estamos chamando de milagre esse fato por várias razões:

a) Não se conhece nenhum Dwija (nascido duas vezes) na história brasileira, o que denota a ausência de escolas, de ambiente e de mestres para o trabalho interior, como é o caso de muitos países do Oriente, que ‘produziram’ avatares famosos como Buda, Krishna, Cristo, Maomé e outros; portanto, é um país sem raízes sólidas nessa área tão séria e trabalhosa, que constitui a base da verdadeira sabedoria. Ao contrário, o Brasil é um país onde ainda prolifera todo o tipo de pessoas com suas atenções voltadas para os próprios interesses, a corrupção e a violência. Existem muito poucas pessoas interessadas em questões mais profundas, como o mistério e o milagre da existência do ser humano neste planeta, de sua origem e propósito.

b) Como a Flor de Lótus, que tem as raízes fincadas no fundo lodoso de um lago, nossa Escola também foi implantada em um local aparentemente inadequado.

c) Ela se originou de um grupo de jovens que ansiavam por penetrar nos mistérios da sabedoria oriental e treinavam práticas vindas do Oriente; eles também viajavam para outros países em busca de mestres que fornecessem respostas às suas questões íntimas. Após uma história tumultuada, cheia de peripécias e dificuldades com a formação dos chefes, com a composição de pessoas que se integraram ao grupo, após disputas de toda a sorte sobre a estrutura da organização e dissidências, podemos afirmar que hoje, no início do século XXI, existe uma verdadeira escola que pode preencher os requisitos extraordinários que isso exige.

d) Ela não foi planejada, cresceu naturalmente com os elementos que hoje possui, não tem uma formação clássica de qualquer tradição, nem dogmas; sua hierarquia é flexível, embora centralizada em dois instrutores, com uma série de pequenos grupos, cada um com coordenação mais ou menos independente, mas com atividades complementares, formando um todo coeso e voltado à linha geral de Gurdjieff. Temos reuniões de instrução e depoimentos, lideradas pela direção – que dão a tônica do progresso individual –, e destacamos também o trabalho dos grupos de estudo dos livros Do Todo e de Tudo e Fragmentos de um Ensinamento Desconhecido , a Biblioteca, o jardim japonês, o chá, etc. Além disso, são realizadas atividades abertas ao público externo, tais como: a apresentação de histórias clássicas de As Mil e Uma Noites, a edição da revista SER, o site do Grupo, consultas ao I Ching, etc.

O autor deste depoimento é uma pessoa que já tem um bom tempo de existência (84 anos), passou grande parte da vida procurando uma escola (Teosofia - Maçonaria - Budismo) e/ou, pelo menos, mestres apropriados; que acompanhou e procurou prestigiar esta Escola e se sente muito feliz em participar de algumas atividades, mas que, devido à sua vivência, tanto na vida prática de técnico e empresário como na vida de pesquisa dos mistérios da natureza, está tomando uma posição de apreciador, de especialista em uma área tão difícil como esta. Entretanto, alguém precisa fazer isto, porque é fácil encontrar apreciadores de comida, de vinho, de carros de corrida, mas poucos são os que podem se arvorar em apreciadores de escolas de sabedoria.

Concluindo, preciso ainda lembrar que, apesar de me sentir feliz e grato por pertencer a esse ambiente, tenho uma única preocupação: “até quando vai durar esse milagre?” Pois, como todo ser vivo, esta Escola não vai durar para sempre.

ARTIGOS

Depoimento - I Ching....Voltar para o Índice

Iraceli D. de Moraes Salgado

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O I Ching é uma das principais obras da tradição chinesa.

Além de testemunhar a inestimável ajuda que o livro sagrado e oráculo I Ching oferece a todas as pessoas que colocam suas questões nas reuniões de sexta-feira, aqui no Grupo Gurdjieff, quero também dar meu depoimento pessoal.

A ajuda recebida através da interpretação de Paulo e Lauro Raful foi de extrema importância na decisão sobre uma cirurgia de meu marido Martim, que apresentava um quadro cardíaco gravíssimo, estando prestes a enfartar, e não aceitava a cirurgia, mesmo tendo formação em Medicina e reconhecendo a seriedade de seu caso.

Da pergunta feita ao I Ching, se ele deveria fazer a cirurgia, veio uma resposta positiva e muito bem explanada, que lhe deu a segurança e tranqüilidade necessárias para enfrentar o que não admitia.

A cirurgia foi realizada com sucesso, alguns dias após a consulta ao I Ching e hoje ele está bem, tendo muito que agradecer ao oráculo chinês e à interpretação de Paulo e Lauro Raful, que levaram a bom termo esta questão.

ARTIGOS

A jóia precisa ser garimpada....Voltar para o Índice

Mariett Regina Rozner

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Jóia de ouro e prata, com incrustações de cornalinas. Afeganistão (sécs. 18-19)

A temperatura caíra bruscamente naquela tarde cinzenta, todo o meu corpo sofria uma luta instintiva para manter o equilíbrio térmico; vasos, circulação e respiração ficaram afetados, hábitos ferrenhos de respostas a estímulos exteriores tomavam conta desses processos, eu tinha de manter a atenção aos músculos, às articulações, porque tudo queria contrair-se, até a respiração se tornara menos abdominal e subira para o plexo solar, sentia uma congestão aí. Logo apareceram pensamentos e ‘quereres’: “coloque um moletom”, “ponha meias”, “quero chá”, etc., etc. Era quase imperceptível o desvio para o exterior, mas ele ganhava terreno com rapidez, havia uma energia sorrateira que procurava me identificar com todas as opções do mental e do emocional. Pronto! Havia uma multidão ruidosa em mim, cada qual desejando coisas diversas e emitindo juízos. Então pensei: esses caras aí não chegarão a um acordo nunca! A Atenção tinha de se ancorar em algum lugar; passei a mão sobre o umbigo e a atenção seguiu o movimento, atraída pela sensação de calor e aconchego que emanava dessa parte do corpo. Após um breve tempo, a respiração voltara a invadir a região abdominal e o plexo solar se distendia gostosamente, agradecendo a saída daquela prisão. A respiração entrava macia e abraçava todo o hara, parte dela subia e refrigerava os dois hemisférios cerebrais e, antes de terminar a expiração, dispersava toda a poeira que cobria o sol radiante em meu peito. Permaneci assim durante algum tempo e os apelos se fizeram cada vez menores e menos consistentes. Por meio da atenção à sensação e fundindo-me nela, elevara-me do caos irreal, da legião de eus-mim para longe da forma física, dos conteúdos do emocional e mental. No entanto, no meu corpo físico, na máquina, energias mais sutis estavam sendo produzidas e se organizavam alquimicamente em uma consciência mais desperta, viva e presente. Uma alegria me invadia, o corpo soltinho, calor de vida, contentamento interior sem nome, mente no presente. Era Ela! A Jóia! A conexão direta com Deus! O Cetro do Amo! A Princesa Solar! Todos os nomes cuidadosa e exaustivamente trabalhados em diversas reuniões com os mestres mostravam-se vivos e inteligíveis agora, em um sentimento de satisfação solar e de vazio pleno. “Ah! Isso é bom, isso é muito bom!”, lembrei-me do Lauro dizendo, gesticulando largamente com sua voz vibrante e olhos bondosos. E como isso tinha reverberado em meu ser! Ora, é bom mesmo ver todo esse emaranhado com o qual a gente se confunde e perceber que não somos isso; o risco está sempre aí. Nada podemos fazer enquanto não conhecemos nosso ser. Como conhecer o que é real nele? Não há fórmula ou equação, a intenção é o primeiro grande passo... todas as práticas, nosso divino suporte.

ARTIGOS

Em busca do equilíbrio....Voltar para o Índice

Maria de Lourdes Baptistella

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O trapézio. Toulouse-Lautrec.

Você já pensou no que significa equilíbrio?

Vivemos em um malabarismo constante em nossa vida, como em um circo, tentando equilibrar-nos. Nossa vida se resume à correria para ganhar dinheiro, resolver problemas, dar conta de todas as exigências externas: filhos, marido, família, etc., e pensamos que ao conseguir solucionar qualquer dessas situações, estamos equilibrados. Ledo engano! O equilíbrio vem de outro nível e significa muito mais. Você já observou um pêndulo? Ele tem necessariamente um ponto de equilíbrio: exatamente no MEIO. É aí que começa o trabalho interior. Buscar o meio, conectar os três centros entre si e com o Céu e a Terra. Estar em Paz, Ser Paz. Sentir a alegria do fluir da vida dentro do corpo. Simplesmente Ser! Observe um triângulo, o seu meio lhe dá o equilíbrio; observe uma bola, o centro é seu equilíbrio. Preste atenção à Terra, o planeta em que vivemos, é no centro que está seu eixo, que lhe dá o perfeito equilíbrio. E no homem, onde está o centro, o eixo? Na coluna e, sem dúvida, na respiração.

A respiração me coloca em contato direto com o Divino. Ela acalma e harmoniza este ser agitado e me transporta ao verdadeiro Eu. Assim como a Terra girando em torno de seu eixo, Eu mantenho o equilíbrio através da respiração, do mantra, da meditação. Girar em torno do próprio eixo é estar, como a Terra, em equilíbrio, em harmonia com Deus, com o Universo, com o homem e com a natureza! E, se pudermos resumir o trabalho interior em uma palavra, direi que esta palavra é EQUILÍBRIO. Buscá-lo é buscar Deus em mim!

ARTIGOS

Sobre a morte....Voltar para o Índice

Marian Suzano Bleier

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O bebê Krishna com sua mãe adotiva. Pintura de Muralidhara Dasa (1979)

Escutem... quero lhes falar sobre a morte, é importante que me escutem. Não precisam ter medo, não dá azar falar sobre a morte, ao contrário, dá força, coragem e, por mais incrível que possa ser, dá consistência para a vida.

Escutem... por favor, me dêem atenção, posso lhes falar sobre a morte, não como os anúncios das milhares de mortes que acontecem em nosso querido planeta, quando somos apenas a platéia sobrevivente assistindo a mais um programa de TV, mas como sua filha legítima: uma mortal.

Escutem... é preciso falar sobre a morte, não se dispersem mudando de assunto tão rapidamente. Fiquem e experimentem, meditem sobre essa presença: invisível, assídua e transformadora.

É urgente que me ouçam agora, pois que a morte já quer se esconder novamente por trás da sua velada aventura. Assustadora e enigmática, ela se faz amiga presente por muito pouco tempo: minha amizade com a Morte começou com um golpe arrebatador. Como um samurai que, com sua espada reluzente, corta o fio da vida, ela ceifou uma alma muito minha querida: meu filho. Foi como um filme que se interrompe, restando a sala escura. Nesse intermédio, uma descarga de milhões de volts. Torra o coração e a mente... e não existe mais cena. Em brasa pura... você é o nada.

O amor é a ponte entre a vida e a morte, em uma linguagem que nos é desconhecida. Mostra toda a sua potência nesse deserto da ausência. Totalmente desapegado, já não tem onde se grudar: não há sonhos, projetos, queixas, preocupações, abraços... O amor se une ao grande vazio da Morte, e, ao vivente, é dada a condição de servi-los.

Dessa parceria tão rara, condição extraordinária para nós, seres humanos, surge a possibilidade de realizar uma difícil tarefa amorosa.

Esse serviço só se faz com a sábia compreensão de que não posso fazer nada. Entregue à quietude do nada fazer, apenas respiro a cada segundo a memória daquele que não é mais daqui. O tempo tem outra dimensão à luz da dor da perda e os momentos de ligação com aquele ser, nessa intimidade com a morte, se revelam ora fortes, ora fracos, constantes ou raros. Essa luz tem vida própria e sua intensidade e presença é geradora de força amorosa.

Diante da descoberta de que tudo é um sonho, percorro a longa jornada entre a morte e o amor.

ARTIGOS

A flor do amor....Voltar para o Índice

Plínio Nogarotto

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A flor do amor. Bon Color Photo Agency. Japão.

Primeiro, é importante estabelecer o que entendo por relação amorosa. O que normalmente é conhecido como relacionamento amoroso, o que é chamado assim, é uma relação afetivo-sexual.

A relação amorosa é algo completamente diferente, é uma pérola, uma jóia. Não está em qualquer lugar. Não é uma pedra qualquer. É fruto de um trabalho consciente e voluntário. Exige esforço de ambos. É uma tentativa de unir duas naturezas diferentes. Dois opostos. Por isso é pontiaguda e frágil. Oferece, porém, em sua imensa generosidade, um caminho, em que os enamorados podem encontrar a própria essência. Sua alma.

Hoje, o ser humano é uma semente, uma possibilidade. Ele ainda não é. Por meio do amor, é possível que a semente se transforme em flor. O amor pertence à flor. A flor é algo que É. Abertura, beleza, perfume, respira a céu aberto; ela é alegre (basta olhá-la atentamente). A semente é fechada, não conhece a luz, o céu, não tem cor, fragrância... Para trilhar a senda do amor, precisamos ser flor. Ser aberto, receptivo, alegre com o outro. Então, uma celebração natural surge pelo simples fato de o outro existir.

O fundamental na arte do caminho do amor é estabelecer um novo pensar, sentir e agir.

POESIAS

Sumi-ê....Voltar para o Índice

Paulo Mazzeo

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POESIAS

Alguém....Voltar para o Índice

Renato Batata

Percebe agora
Dentro também
Fora do tempo
Existe Alguém
Sem forma, sem nome, Imenso Poder
Desfruta a delícia de ser e não-ser
Inala o mistério
Até o fim expira
No centro do peito
Brota A Maravilha.

POESIAS

Para o Mestre....Voltar para o Índice

Carla Galvão

Acreditava que desejo era poder,

Compreendi que é vazio.

Acreditava que amor era paixão,

Compreendi que é Deus.

Acreditava que simplicidade era atributo,

Compreendi que é desapego.

Acreditava que era mulher,

Compreendi que “Eu Sou”.

Acreditava nos sonhos,

Compreendi que respiro.

Acreditava que era livre,

Compreendi que dormia.

Acreditava no bem e no mal,

Compreendi a isenção.

Acreditava no futuro,

Compreendi o agora.

Acreditava na morte,

Compreendi a ressurreição.

Acreditava que ser tudo era o máximo!

Compreendi que perfeito é ser UNO.

Mestre:

- Como vou voltar se de Deus me revelaste o olhar?

Ilumina o caminho para que eu ande sozinha

E não me perca em ACREDITAR.

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Radha e Krishna. Pintura de Dhrti-Devi Dasi (1980)

POESIAS

Reencontro....Voltar para o Índice

Fernanda Ferraz

Tudo o que tenho é esse olhar

Sublime e majestoso

Que se eleva acima do que chamo eu

Doce, terno olhar, Todo-Poderoso

No calmo peito meu.

Sua Presença ilumina, desperta

E me revela

Toma a frente, alça vôo

Pujante e destemida

E assim, consagra

O seu amor, na vida.

Testemunha oculta e companheira

Torna tudo real em sua Graça

Expande reinos pela Terra inteira

Sem que nada, nada mesmo, faça.

Neste instante-olhar, nasço e renasço

Como se fosse uma primeira vez

No Agora, ele me cerca em seu abraço

De brilho intenso, como jamais se fez.

A esse SUPREMO olhar

Entrego tudo de mim mesma

Finalmente, me abro em devoção

E, então, em sagrada reverência

Beijo-lhe os olhos, que meus, também o são.

POESIAS

Vida Simples....Voltar para o Índice

Euclides Belizário Sobrinho

Acordar no meio da noite e se dar conta de já estar mantrando.

Se aconchegar e, virando de lado, querendo mantrar, adormecer.

Amar a Deus sobre todas as coisas.

Madrugada fria, chuveiro bem quente, o calor bem dentro no peito.

Coando café, o cheiro encorpado, o corpo reage.

Amar a Deus sobre todas as coisas.

Num começo de estrada, o mar de luzes vermelhas em movimento.

E um novo dia já quase querendo emergir do escuro.

Manhã de outono, o céu todo azul, despido de nuvens

e a névoa branquinha enfeitando a barra da abóbada celeste.

Amar a Deus sobre todas as coisas.

O tédio de todos, até mau humor, a aula se arrasta.

Uma idéia que toca, as almas se acendem, há vida por um momento.

Depois, tudo se apaga. E de novo se acende, pra depois apagar.

Amar a Deus sobre todas as coisas.

Um afago distraído na mandíbula macia do gatinho Caetano.

A Natureza se abre, se espicha e ronrona

para receber um carinho.

Amar a Deus sobre todas as coisas.

À noitinha, um vento gelado apunhala a garganta.

No meio da rua, espirro, tosse, dói o pulmão.

Sentado na sala, ouvindo o mestre, o corpo cansado,

a voz fica longe, deveras bem longe. Quem sabe dormi?

Amar a Deus sobre todas as coisas.

Então já na cama, entregue ao orgasmo e à noite com estrelas,

me lembro de tudo, de tudo tão amplo, tão cheio de amor!

E no meio do sono, febril e suando, dormindo e mantrando.

Amar a Deus sobre todas as coisas.

Detalhe do jardim japonês de um dos mais famosos templos Zen de Kyoto. Bon Color Photo Agency. Japão.

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POESIAS

Pequeno Poema....Voltar para o Índice

Fernando Vianna

Desejei de um só impulso conhecer-te desde sempre.

Essa é a minha falta.

Tua suprema palavra rompe, com a força da vida que quer viver,

o círculo iezida de meu verbo sem ação.

Meu coração de fogo se impõe. Já o sinto pulsar novamente.

O esquecimento se extingue,

mas deixa seu rastro visceral em cada recanto de minha totalidade.

Teu silêncio eloqüente é a prova inequívoca de teu poder.

Tua beleza faz salivar uma boca que deseja. E repleto por tua enormidade expludo em fragmentos de amor.

A minha solidão é a tua ausência. Na tua memória reconheço a verdade,

na minha dor procuro um espelho

e encontro um reflexo que vislumbra o novo, o raro.

O que a move é um grande mistério,

o que a guarda é a imensidão de um Deus revelado.

Os poetas, não a conhecendo, lembram de ti, têm saudades,

lêem teus versos,

e quando retornam à vida, já são um pouco mais.

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A contemplação da natureza é uma fonte perene de instrução e inspiração. Foto de Ansel Adams

POESIAS

Sob a Lei da Providência....Voltar para o Índice

Márcia Kondratiuk

Aceite os prenúncios

Os indícios

Os anúncios

As assonâncias...

Aceite as evidências

Com paciência

Com deferência

Sem parcimônia

Sem escrutínio

Sem arrogância...

Ature as incongruências

Com obediência

Até com renúncia

Mas com esperança...

Trabalhe sem desistência

Com elegância

Com perícia

E independência...

Aprecie a convivência

Repare nas coincidências

Sem resistência

Sem arrogância

Com clarividência...

Fuja da eloqüência

Da ganância

Da maledicência

Descanse na temperança...

Confie na Providência

Na Suprema Inteligência

Acredite na abundância

Não se fie nas aparências

Mergulhe nas ressonâncias

Aceite os prenúncios

Os indícios

Os anúncios

Mas não perca a esperança...

CONTOS

A VELHA E O MONGE....Voltar para o Índice

adaptação de um conto zen

No alto de uma montanha, no Japão, vivia uma velha e sábia senhora com sua neta de dez anos.

Certo dia apareceu por lá um jovem monge pedindo hospitalidade por uma noite. Ora, durante o jantar a senhora e sua neta ficaram muito impressionadas com a intensidade do fervor religioso do rapaz. Conversaram até tarde da noite e o monge declarou, entre lágrimas, que seu maior desejo era afastar-se do mundo e dedicar-se exclusivamente ao estudo dos textos sagrados, à repetição dos mantras e à meditação.

Ao retirar-se para seus aposentos, a velha senhora refletiu muito sobre tudo o que ouvira e, no dia seguinte, fez uma proposta àquele jovem candidato à santidade. Ele poderia viver por dez anos em uma cabana dentro de sua propriedade sem nenhuma preocupação com a sobrevivência material, pois ela cuidaria do bem-estar dele como o de um filho muito querido.

O monge, encantado com essa possibilidade de realizar o sonho de sua vida, aceitou a generosa oferta e ali se instalou. A velha cumpriu religiosamente o que prometera: todos os dias, durante dez anos, ela cuidou dele com extrema delicadeza e atenção, alimentando-o com suas melhores iguarias, protegendo-o do frio e do calor excessivos, do ataque de animais e de doenças.

O rapaz, por sua vez, entregou-se de corpo e alma à sua busca interior. As duas mulheres acostumaram-se a ouvir, enquanto trabalhavam, a bela voz do monge cantando hinos e recitando mantras.

Ao completar dez anos da chegada do rapaz, a velha senhora chamou sua neta, agora transformada em uma bela jovem de vinte anos, e disse-lhe:

- Minha filha, faz dez anos que o monge está conosco e chegou o momento de testá-lo. Precisamos avaliar o grau de desenvolvimento espiritual que ele atingiu depois de tanto tempo de dedicação ao caminho religioso. Hoje, quem levará o almoço para ele será você...

A jovem, muito surpresa, respondeu:

- Mas, vovó, eu tenho medo de me aproximar dele, pois sempre fiquei distante durante todos esses anos.

A velha procurou acalmá-la e, com um misterioso sorriso nos lábios, falou longamente em seu ouvido, como quem conta um segredo. Depois, em voz alta, exclamou:

- E não se preocupe, eu estarei por perto!

Quando a moça entrou na cabana, encontrou o monge de olhos fechados, em posição meditativa, cantando mantras. Em silêncio, ela depositou a bandeja sobre o tatame e, aproximando-se do homem, abraçou-o longamente, carinhosamente...

O monge estremeceu da cabeça aos pés e num gesto brusco empurrou a moça. Então ela perguntou como ele estava se sentindo e ele respondeu:

- Eu me sinto como uma árvore nua e fria em uma noite de inverno.

Neste momento, a velha senhora, que a tudo assistira do lado de fora, entrou na cabana exclamando:

- Oh! Meu filho, quanto tempo perdido! Todos estes anos estudando os livros, recitando mantras, meditando, e você nunca desenvolveu as virtudes do acolhimento, da generosidade, do bom humor, do relaxamento e da simpatia? Saia imediatamente desta casa, seu lugar não é mais aqui! Volte para o mundo, vá viver sua vida...!

E o monge partiu, enquanto a velha queimava a sua cabana.

Vários anos se passaram, até que um dia um homem, que se intitulava “o fogo do feminino iluminou o meu caminho”, veio a tornar-se um dos maiores mestres espirituais do Japão.

O mestre Shinran. Bon Color Photo Agency. Japão.

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CONTOS

REVELAÇÕES....Voltar para o Índice

vários autores

Desde o princípio dos tempos até a atualidade, nos chegam frases ou textos repletos de sabedoria. Alguns de seus autores são anônimos, outros, conhecidos. O que os une é a Verdade neles contida que, penetrando em nosso Ser, faz soar, suavemente, as cordas do nosso coração. Leia-os com atenção! Deixe que suas palavras o coloquem em contato direto com um mundo de finura e expansão.

1 - Você só é responsável por aquilo que pode mudar. A única coisa que você pode mudar é sua atitude, e nisso está a sua responsabilidade.

2 - Escute esta história:

Quando a alma deixou o corpo,

foi detida por Deus às portas do Paraíso:

“Ai! Você retornou exatamente como partiu.

A vida é uma bênção de oportunidades.

Onde estão as pancadas e os arranhões

deixados pela jornada?” (Rumi)

3 - A fraqueza vem no momento em que se esquece de pensar em Deus. Um meio bem simples de lembrar-se Dele é repetir constantemente Seu Nome.

4 - O mantra purifica o pensamento e permite ao discípulo atingir o conhecimento da Verdade.

5 - A repetição constante do mantra e a prática diária da meditação lhe darão a força e a coragem necessárias para superar toda e qualquer fraqueza do mental e do emocional.

6 - O tempo todo, agarre-se aos nomes Divinos. Esta é a única tábua de salvação que não deixa afundar o homem que a ela se prende. O Nome é o próprio Divino, o Guru, o Todo em tudo.

7 - Vamos fazer de nossa vida uma constante oferenda à FONTE que nos deu a existência, tendo sempre o nome Divino nos lábios e nos pensamentos.

8 - Permita-nos agora permanecer e estabilizar-nos

Em nossa própria essencialidade

Anterior às palavras,

Anterior aos conceitos,

Anterior à mente.

9 - “O ‘misterioso’ é a coisa mais bela que podemos experimentar; é a fonte de toda arte e ciência verdadeiras. Aquele para quem esse sentimento não passa de um desconhecido, que não consegue mais maravilhar-se, permanecendo envolto no temor, está praticamente morto; seus olhos estão fechados... Saber que aquilo que nos parece impenetrável realmente existe, manifestando-se como a mais alta sabedoria e a mais radiante beleza, que nossas capacidades entorpecidas só podem compreender em suas formas mais primitivas – esse conhecimento, esse sentimento, está no centro da verdadeira religiosidade. Nesse sentido e apenas nesse, pertenço à categoria dos homens ardentemente religiosos.” (Albert Einstein)

10 - No ser do homem, o Céu e a Terra se beijaram.

11 - De manhã, quando você estiver diante do espelho, cuide para que o rosto que o encara seja um rosto agradável: você poderá não o ver novamente durante o dia, mas os outros, sim.

12 - A dor psicológica quer dizer simplesmente desejar algo que não está no momento presente ou rejeitar algo que existe neste momento.

13 - Não viva nas frustrações ou nos sucessos do passado; não viva nas projeções, nos medos e nas expectativas do futuro. Permaneça no momento presente e não se envolverá nem com a felicidade nem com a infelicidade.

14 - Você é livre! Por que, então, diz sentir-se preso e estar buscando a liberdade? Você é o espaço infinito. Assim sendo, por que se sentir preso – quem o estaria prendendo? Você não está confinado no corpo. Se o corpo está morto ou vivo, na verdade, não deve ser motivo de preocupação para você. A relação entre o corpo e você é a mesma que existe entre a nuvem e o vento, ou o lótus e a abelha. O vento torna-se um com o espaço quando a nuvem desaparece; a abelha voa pelo espaço quando o lótus murcha. A morte não afeta quem é a própria Consciência. A causa de sua miséria é a identificação com o corpo como uma entidade separada.

15 - Com certeza, não sou este mundo exterior que posso perceber como algo inerte. Nem sou o corpo criado a partir de uma única célula de esperma, que parece viver pelo mais breve dos momentos no rio do tempo. Não sou, pois, a forma, nem o nome, que é apenas um som, um movimento no ar desprovido de qualquer existência independente. Nem eu poderia ser a experiência de qualquer dos outros órgãos dos sentidos – o tato, o paladar, a visão ou o olfato. O que fica então? Fica a paz além de qualquer pensamento! Posso apenas Ser essa paz que está além de todos os conceitos e conceituações.

16 - “Em relação a todos os atos de iniciativa e de criação, existe uma verdade fundamental, cujo desconhecimento mata inúmeras idéias e planos esplêndidos. A de que, no momento em que nos comprometemos, a Providência se move também. Ocorre e acontece, para nos ajudar, toda espécie de coisas que, de outro modo, não teria sucedido. Toda uma corrente de eventos brota da decisão, fazendo surgir, a nosso favor, toda sorte de incidentes, encontros e assistência material, que nenhum homem sonharia que viesse em sua direção.
O que quer que você possa fazer, ou sonha que poderia, faça-o. A coragem contém genialidade, poder e magia. Comece-o agora.” (Goethe)

17 - “Nosso maior medo não é o de ser inadequados, nosso medo mais profundo é sermos incomensuravelmente poderosos. É nossa luz, não a sombra, o que mais nos amedronta. Perguntamo-nos: ‘Quem sou eu para ser brilhante, belo, talentoso e fabuloso?’ Na verdade, quem é você para não o ser? Você é filho de Deus, diminuir-se não ajuda o mundo. Não há nada de iluminado em se encolher para evitar que os que o cercam se sintam inseguros. Nascemos para manifestar a Glória de Deus que há dentro de nós. Ela não existe apenas em alguns, encontra-se em todos. À medida que permitimos que nossa própria luz brilhe, inconscientemente estamos concedendo permissão aos outros para que façam o mesmo.
Ao nos livrarmos de nossos medos, nossa presença automaticamente liberta os outros.” (Nelson Mandela)

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“Deixa que a Natureza seja o teu guia” (Alquimia). Figura de M.Maier, Atalanta fugiens, Oppenheim 1618.

JOGOS

Caça-palavras....Voltar para o Índice

Heloísa Margarido

Ilda Soban

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Procure e marque, no diagrama de letras, as palavras em destaque no texto

“Existem de fato mentes inquiridoras, que anseiam pela unidade do coração, que a buscam, empenham-se para resolver os pro-blemas colocados pela vida, tentam penetrar na essência das coisas e dos fenômenos e adentrar em si mesmos. Se um homem raciocina e pensa de forma mais consistente, independentemente do caminho que ele siga na solução desses problemas, ele deve inevitavelmente regressar a si mesmo, e começar com a solução do problema do que ele mesmo é e qual o seu lugar no mundo à sua volta.” (G. I. Gurdjieff)

JOGOS

Palavras cruzadas....Voltar para o Índice

Heloísa Margarido

Ilda Soban

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Horizontais

01. Dele viemos, a ele retornaremos.

02. Julgar que um objeto do pensamento, atualmente presente, já foi conhecido anteriormente por nós. “Déjà vu.”

03. Como Adão se sentia antes de Eva.

04. Segundo o trabalho gurdjieffiano, alimento do qual o homem não pode prescindir nem por um só instante.

04. Local pantanoso onde vivia uma monstruosa serpente que Hércules precisava enfrentar.

05. Sereia amazônica chamada de “mãe das águas”.

06. Ave pernalta aquática; forma pela qual a fênix também se manifesta.

06. Estado crônico em que o homem normalmente se encontra.

07. Na alquimia é amálgama.

07. Foi partido ao meio pelo Criador, segundo a mitologia grega, para criar o Céu e a Terra.

08. São usados para unir, juntar, prender.

08. Sobrinho de Abraão, poupado da destruição de Sodoma.

10. Recurso utilizado por Ícaro para fugir do labirinto de Creta.

10. Palavra chinesa que significa caminho e que deu origem a uma das principais tradições espirituais do mundo.

10. Sensação muito agradável, deleite, delícia.

11. Representação pitagórica do Cosmo em quatro níveis.

12. Flor que Helena tinha em mãos ao ser raptada por Páris.

13. São as três forças que compõem o Universo; Sr. Gurdjieff chamou-as de Deus Santo, Deus Forte e Deus Imortal.

13. Iniciais de Sante Ioannes, expressão do último verso do hino de S. João.

15.De pouco tempo.

15. Não se pode viver sem ele, é a expressão mais elevada do corpo vital, pois nutre todo o corpo físico.

15. Aquilo que alimentou os judeus no deserto.

Verticais

01. Terceira letra do alfabeto hebraico.

01. Monstro da mitologia fenícia, simboliza o caos.

03. Processo que se inicia no momento do nascimento e continua sem interrupção até a morte.

04. Ele trabalha toda a vida e vive no vermelho.

04. Alguns cristãos crêm que eles têm o poder de interceder no céu em favor dos fiéis na terra.

05. Cada um dos grandes períodos de tempo em que se divide a história geológica da terra.

06. Primeiro mês do calendário babilônico.

06. Plano mais sutil que o físico.

07. Fonte de luz, calor e vida.

08. Determinação sem a qual a vida de uma pessoa transcorre como uma palha ao vento.

08. Uma das principais faculdades da alma, sem a qual o ser humano não consegue realizar nada.

09. Vibração primordial.

09. Uma das substâncias necessárias à manutenção da vida.

10. Nota musical.

10. Única planta que frutifica e floresce simultaneamente; na tradição egípcia Hórus é representado saindo dele.

11. Interferência de uma dimensão mais sutil.

12. Deusa virgem da Lua, irmã gêmea de Apolo, poderosa caçadora e protetora das cidades, dos animais e das mulheres.

14. Estado de consciência sem o qual é impossível para um ser humano tornar-se iluminado.

14. Sexto filho de Cronos e Réia, seu nome significa resplandecente, brilhante.

15. Atributo de Apolo, senhor da Poesia e das Artes.

16. Designação comum a várias ervas mexicanas do gênero amaranto, cuja seiva vermelha é usada como cosmético.

17. Invocação dirigida à divindade.

JOGOS

Dominox....Voltar para o Índice

Heloísa Margarido

Ilda Soban

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JOGOS

Enigma de Einstein....Voltar para o Índice

Heloísa Margarido

Ilda Soban

No final do século passado, Einstein propôs um problema que, segundo ele, 98% das pessoas não seriam capazes de resolver.

Havia cinco sábios que moravam em cinco casas, com uma pedra preciosa diferente em cima de cada porta. Cada um deles possuía um objeto de poder, uma flor e um animal diferentes.

Qual deles tinha a águia?

1. O chinês vivia na casa com uma safira em cima da porta.

2. O árabe tinha um lobo.

3. O russo tinha um baralho.

4. A casa com a esmeralda ficava à esquerda da casa com a ametista.

5. O sábio da casa com esmeralda tinha um bastão.

6. O sábio que tinha um jasmim criava um leão.

7. O sábio da casa com diamante tinha uma flor de lótus.

8. O sábio da casa do centro tinha um manto.

9. O hindu vivia na primeira casa.

10. O sábio que tinha uma rosa morava ao lado do que tinha um touro.

11. O sábio que criava um cordeiro vivia ao lado do que tinha uma flor de lótus.

12. O sábio que cultivava um cacto tinha também uma adaga.

13. O tibetano tinha um lírio.

14. O hindu vivia ao lado da casa com um rubi em cima da porta.

15. O sábio que plantava rosas era vizinho do sábio que tinha um anel.

JOGOS

Respostas....Voltar para o Índice

Caça-palavras

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Enigma de Einstein

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Dominox

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Palavras cruzadas

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CRÉDITOS....Voltar para o Índice

SER

O periódico do Grupo Gurdjieff São Paulo

Fevereiro 2008

Editores

Paulo A. S. Raful e Lauro de A. S. Raful

Coordenação Geral

Carmem Sílvia de Carvalho

Maria Aparecida Ramos De Stefano

Comitê executivo

Carmem Sílvia de Carvalho

Maria Aparecida Ramos De Stefano

Heloísa Margarido

Renato Batata

Cláudio Leozzi

Elisa Yoshimura

Projeto Gráfico e Editoração Eletrônica

Ana Belizário

Tratamento de Imagens

Renato Batata

Tradução dos textos tradicionais

Maria Aparecida Ramos De Stefano

Revisão de textos

Maria Eugênia da Rocha Nogueira

Transcrição das entrevistas

Elisa Yoshimura

CAPA

O nascimento de Vênus. Botticelli (adaptação eletrônica de Renato Batata)

4a CAPA

Janelas d’Alma (palácio hindu). Foto de Gabriela Carvalho.

Colaboração: imagens e livros raros

Ilda Soban

Impressão e acabamento

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